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Impactos da crise econômica podem durar até o ano que vem

Especialista afirma que ainda é difícil precisar o fim da recessão econômica por causa do novo coronavírus no País

| ACidadeON/Araraquara

Somente o comércio estima aumento de 30% no saldo de demissões (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)

Os impactos da crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus podem durar até o ano que vem. A previsão e análise é do economista e chefe do Departamento de Ciências da Administração e Tecnologia da Universidade de Araraquara, Eduardo Rois Morales Alves. 

De acordo com o especialista, ainda é difícil prever quais serão os reais impactos da pandemia do novo coronavírus na economia brasileira, porém, a população pode sentir no bolso até 2021 ou 2024. É que, em sua avaliação, o Governo não tem dado respostas efetivas para contar a crise. 

"Há uma desaceleração abrupta da economia e está no início. Os países com melhor resultado econômico foram àqueles que testaram e estão testando muito a população, pois é aí que você consegue fazer uma triagem de quem precisa ou não de quarentena, tem anticorpos e pode retornar ao trabalho", explica. 

Em Araraquara, por exemplo, empresas demitindo trabalhadores ou reduzindo jornada de trabalho e salários, através de Medida Provisória do Governo Federal são os primeiros impactos. Somente o comércio, em pesquisa recente, estima crescimento de 30% no saldo de demissões na cidade. 

"Deve vir uma quebradeira de empresas de pequeno porte muito severo e o desemprego já temos notícias aqui em Araraquara. Temos também empresas fazendo redução de jornada e salário, mas essa ainda é uma alternativa que busca salvar os empregos em um momento desse", afirma. 

Há ainda grande expectativa de parte dos empresários locais na reabertura imediata do comércio e fim do isolamento social. Porém, mesmo os setores da recente flexibilização, devem sentir os impactos da crise em longo prazo. 

"O problema da nossa economia é que não vinhamos bem antes dessa pandemia. Desde 2014 a gente intercala recessão e estagnação econômica, o crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 é ridícula e muito ruim. O Governo não lançou mão de nenhuma estratégia ou política econômica para estimular o crescimento do PIB e ele não cresceu", diz. 

VEM DE ANTES
Morales Alves defende que o Brasil sentirá mais a crise imposta pelo novo coronavírus, porque a economia vem enfrentando dificuldades há pelo menos 6 anos. Segundo ele, a mudança é que agora o cenário se agravou, pois as empresas já vinham com finanças comprometidas e dificuldade de demanda. 

"É um quadro pior do que a situação que estava difícil. Agora, o nível de incerteza também é inédito e não dá pra dizer que em dezembro estará a todo vapor, porque não dá pra dizer se até lá terá isolamento. O nível de incerteza que essa crise sanitária trouxe e afeta a economia é inédita no Brasil". 

Entre as saídas para a crise econômica durante a pandemia, Morales Alves aponta que uma das possibilidades seria usar as reservas cambiais para renda mínima às famílias e também financiamento para as empresas brasileiras. Apesar disso, considera difícil que o Governo adote, por causa da ideologia neoliberal da equipe econômica. 

"Isso é discutível e controverso, mas tem economistas que apontam que dos US$ 350 bilhões que o Brasil possui em reservas, mais ou menos US$ 150 bilhões seria excesso em termos do que é aconselhável manter de reservas cambiais. Uma proposta seria injetar esse recurso em forma de benefício", defende. 

Sobre o impacto dessa medida no endividamento do Governo Federal, Morales Alves garante que não necessariamente ele existe. "Os R$ 600 e essa linha de empréstimos às empresas vem como contrapartida do endividamento das finanças públicas. Mexer nas reservas, por exemplo, não implica em aumento de dívida. Agora, não acredito que seja uma medida, por ser arrojada", finaliza.

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