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Mais de 70% das empresas reduziram ou paralisaram a produção

Empresários araraquarenses falam sobre as dificuldades de honrar os pagamentos em meio a quarentena

| ACidadeON/Araraquara

Mais de 70% das empresas reduziram ou pararam a produção (Foto: arquivo)
Equilibrar as contas tem sido um desafio para a indústria. Sem consumo, não tem venda e, consequentemente, produção. Uma cadeia em que todas as engrenagens precisam funcionar para girar a roda da economia e quando uma peça falta, tudo trava. 

Na marmoraria em que Maria Glória Pires é gerente há 25 anos, as vendas caíram 50%. E quando as contas não fecham no fim do mês, é preciso repensar as despesas. 

"Eu estou devolvendo material comprado, estou com boleto em atraso, cheque especial estourado e metade do meu quadro de funcionários está em casa", explica.  

E quando metade dos funcionários está em casa, significa dizer que metade da produção está parada. Uma realidade enfrentada por 76% das empresas, que reduziram ou paralisaram a produção, segundo um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

Ao todo, 1,7 mil empresas foram ouvidas na primeira quinzena de abril. O levantamento mostra que 70% delas relataram queda no faturamento e 59% estão com dificuldades para cumprir pagamentos correntes. 
 
PROBLEMA ANTIGO
Segundo o economista Eduardo Rois Morales Alves, estes números ilustram um problema que não é de hoje. A desindustrialização que tornou o setor mais sensível e a crise econômica muito mais acentuada. "A crise é mundial, é planetária, mas é muito mais aguda no Brasil que em outros países. Os grandes agregados macroeconômicos (PIB e renda) vêm mal há muito tempo. O PIB não cresce de maneira sustentável no Brasil desde os anos 80, são quase 40 anos, e agora isso vai estourando muito mais agudo. O empobrecimento generalizado do país é o que deve, infelizmente, sair desse panorama tão adverso que a gente vem enfrentando na economia", explica o economista.  

Uma fábrica de alumínio de Araraquara está operando com apenas 25% da mão-d- obra. O restante teve seus contratos suspensos e redução de jornada e salários.  

O proprietário da empresa, Ademar Ramos, explica que diante da crise, houve queda na produção e, quando os pedidos aparecem, são entregues bem mais rápido do que antes. 
"O pedido chegou hoje, amanhã estamos entregando. Normalmente, nossas entregas eram de aproximadamente 20 dias, mas hoje estamos levando quatro dias no máximo. São pedidos reduzidos, com um número muito pequeno. Se der para pagar a despesa, já está muito bom", afirma Ramos.  
 
INADIMPLÊNCIA 
O mesmo levantamento da CNI mostra que 45% das empresas relataram inadimplência dos clientes e que 44% dos compradores cancelaram pedidos. 

Esta situação gerou na empresa do Ademar, uma queda de 80% no faturamento. "Ninguém compra nada, ninguém vende nada e ninguém paga nada. Estamos com problemas de inadimplência. Eu tenho inúmeros compromissos, compromissos sérios, federal, estadual e municipal. Porém, eu não vendo e se não vendo eu não recebo. Se eu não recebo, como pago meus compromissos?", questiona.  

Segundo a CNI, há um "grande esforço" para se manter os empregos, mas a indústria ainda encontra dificuldades de acesso a créditos.

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