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Pandemia fecha ao menos 15 lojas da região central

Comerciantes tentam negociar os aluguéis ou simplesmente fecham as portas

| ACidadeON/Araraquara

Pandemia fecha ao menos 15 lojas da região central
Lojas fechadas e CNPJ´s cancelados. Quem passa pelos principais corredores comerciais da região central de Araraquara percebe um cenário um pouco diferente do habitual, com placas de aluga-se, vende-se ou passa-se o ponto por todos os lados. Esse é mais um dos reflexos da pandemia da covid-19 e da quarentena, que já se aproxima dos 60 dias. 

Segundo levantado feito pela reportagem, pelo menos 15 lojas estão fechadas nas ruas Nove de Julho (Rua 2) e São Bento (Rua 3).

Na Rua São Bento, no trecho entre a Avenida Bandeirantes a Avenida Brasil, sete lojas estão com placas de aluga-se. No mesmo trecho, só que na Rua Nove de Julho, oito estão fechadas, fora os avisos de mudança de atendimento, com o número de telefone para contato.

Segundo informações passadas pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Araraquara (Acia), José Janone Junior, este número pode ser maior, com mais de 200 empresas fechadas, porém, não há um levantamento oficial relacionado a pandemia. A Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) ainda não tem os dados contabilizados.

"Conversando com alguns escritórios de contabilidade de Araraquara, soubemos que mais de 200 empresas já encerraram suas atividades, demitiram seus funcionários e, infelizmente, quando essa pandemia acabar, não retomaram suas atividades", explica.  

Comércio fechado no centro de Araraquara (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Araraquara (Sincomercio), Antonio Deliza Neto, explica que ainda é necessário fazer um levantamento minucioso sobre o número de comércio fechado por consequência da pandemia.
"Com os escritórios de contabilidade estamos trabalhando as demissões e a movimentação de trabalhadores, mas com relação às empresas, precisamos fazer um levantamento com mais critério. O que se sabe é que muita gente não conseguirá se reerguer mais. Se tivesse voltado no último dia 11 de maio, 30% dessas lojas já não conseguiriam retornar as atividades", ressalta.

Independente do número, este cenário, de lojas já fechadas, neste momento, pode ser considerado um impacto direto da pandemia, segundo Janone. "Isso é o reflexo do encerramento das atividades empresariais na cidade e, infelizmente, o desemprego. Acreditamos que 20% dos imóveis comerciais da cidade já estejam fechados por conta da pandemia", destaca.

O diretor-proprietário de uma imobiliária de Araraquara, Italo Cardinali Filho, afirma que muitos dos seus clientes, que possuem comércio na área central de Araraquara, e de outros municípios da região, como Ibaté e São Carlos, já pediram para negociar o valor do aluguel para não ter que fechar as portas.

"São dezenas de lojas fechando e realmente procurando pontos mais baratos. Nesse momento de pandemia, as pessoas estão mesmo querendo negociar o valor do aluguel. Em torno de 15% a 20% de todos os nossos contratos estão sendo renegociados", explica.

PREOCUPAÇÃO
A situação preocupa Maria Irene Oprime Carvalho, de 62 anos, proprietária de uma loja de roupas. Ela está tentando continuar com o aluguel para se manter no centro da cidade, mas teme não conseguir cumprir com os compromissos no próximo mês e ter que entregar o prédio.

Para não chegar a tal ponto, Maria Irene conta que enxugou o máximo os gastos e que já precisou dispensar uma vendedora.
"Eu consegui baixar em 50% o valor do aluguel, mas tenho outras despesas, como fornecedor, que tem a compra de lançamento de coleção e março. Eu comprei dia 9 de março e dia 20 tive que fechar a loja. Essa situação está inviável, está terrível", afirma.
O presidente da Acia afirma que esta situação econômica está mudando a cara de Araraquara.

"Muitas empresas, antes instaladas no centro e demais corredores comerciais, estão mudando para a casa de seus proprietários, assim eles economizam com o custo fixo do aluguel. Além disso, as plataformas de e-commerce, vendas online, delivery e drive-thru estão trazendo aos consumidores novas modalidades de fazer negócios e consumir serviços e produtos", conta Janone.

A empresária no ramo contábil, Fabiana Gomes de Araújo, afirma que teme pelo futuro. "Mesmo com as medidas liberadas pelo governo, como a prorrogação dos parcelamento, dos impostos e até mesmo a suspensão dos contratos de trabalho, as empresas vêm passando por dificuldades e não vemos uma perspectiva de melhoras a curto prazo", finaliza.

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