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As maiores contratações do futebol brasileiro no século XXI

Com Roger Guedes no pacote, é indiscutível que o Corinthians foi quem melhor contratou no inverno brasileiro

| ACidadeON/Araraquara -

Renato Augusto é um dos novos reforços do Corinthians para a temporada. (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)
O mês de agosto nos colocou diante da bateria de contratações mais solenes já vistas no futebol brasileiro nesse século. Nos anos 90, nós tivemos Romário chegando ao Flamengo como melhor jogador do mundo e campeão mundial, o que, por si só, já é mais significativo. Nas décadas anteriores, a mercantilização do futebol ainda não era um processo acentuado e, portanto, estabelecer alguma comparação sequer faz sentido. 

Com Cássio e Fágner e os retornos de Renato Augusto e Willian, o Corinthians se tornou o clube com maior número de jogadores que estiveram com a seleção brasileira durante a Copa do Mundo de 2018, superando o Manchester City que, naquele momento, já contava com Ederson, Fernandinho e Gabriel Jesus. Lembrando que Giuliano, outra cara nova do time, participou do ciclo para o mundial da Rússia, estando entre os relacionados em 11 das 19 partidas que antecederam a Copa do Mundo. Entrou em campo seis vezes, em três delas como titular.

Incluindo Roger Guedes no pacote, é indiscutível que o alvinegro paulista foi quem melhor contratou no inverno brasileiro. Em primeiro lugar, porque há um salto qualitativo no elenco, considerando a discrepância técnica existente entre aqueles que estavam e os que chegam. Além disso, há um redimensionamento das expectativas do clube para a temporada. Se a classificação para a pré-Libertadores era, no início do Brasileirão, um sonho para o corintiano, hoje, estar entre os seis melhores do país é o mínimo a ser feito. Willian, Renato Augusto e Giuliano são incompatíveis com a Copa Sul-Americana.

Sylvinho, que ganhou jogadores melhores e ideais para o seu modelo de jogo, será cobrado em novos parâmetros. Essa será sua prova dos nove como treinador.

Por fim, se a versão oficial corresponder aos fatos, manter a folha salarial entre R$10 milhões e R$11 milhões, considerando os novos reforços, é sinal de que a engenharia financeira do Corinthians pode estar sendo bem-feita.

No São Paulo, as novas contratações desnudam a ilusão de que no mercado das trocas simbólicas, o oferecimento de uma taça estadual, que sela uma fila de títulos, suscitaria a "paz para trabalhar" como dádiva recíproca. O gol perdido por Pablo, contra o Palmeiras, foi transformado em trauma e levou o clube a buscar a redenção em Calleri, menos de duas semanas depois, com a esperança de que o argentino volte a ser o que foi há cinco anos e que não é desde então. O atacante chega para solucionar um problema que, provavelmente, com Luciano e Éder na plenitude de suas formas físicas, não seria um problema.

Já Gabriel Neves, entrega ao meio-campo do clube mais qualidade para a saída de bola, com passes curtos e lançamentos em profundidade. Contudo, em um clube endividado e com uma folha salarial de R$15 milhões, a chegada de novos atletas deveria incorrer na saída de outros, o que não aconteceu.

Por fim, Diego Costa no Atlético-MG é a melhor contratação feita durante esse mês, sem ignorar que os investimentos do clube mineiro não encontram lastro na realidade e sugerem um futuro preocupante. Centroavante da Espanha em dois mundiais, bicampeão da Liga Inglesa com o Chelsea, sendo artilheiro do clube nas duas oportunidades e em suas três temporadas na Inglaterra, e campeão espanhol com o Atlético de Madrid, com um gol a menos do que Messi na competição. O atacante promete dominar o ludopédio nacional.

Vida de Coach

Sobre o colunista

João Túbero Gomes da Silva é cientista social em formação, cronista esportivo e torcedor da Ferroviária. Busca pensar o futebol em sua complexidade, nas mais variadas vertentes que o jogo sintetiza em si.

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