Governo federal tenta criar nova contabilidade para despesas

Ao tentar alterar o cálculo do teto de gastos, ministério da economia cria ainda mais insegurança fiscal

| ACidadeON/Araraquara -

 

Contabilidade biruta só causa confusão maior.

Os erros fiscais cometidos durante os governos da Presidente Dilma Roussef ficaram conhecidos à época como decorrência do uso de "contabilidade criativa". Basicamente esse termo surgiu devido a apresentação de superávits inexistentes e de previsões de receitas superavaliadas. O atual governo de Jair Bolsonaro, por meio de seu ministro da Economia, segue na mesmo linha de falseamento, porém, inova e propõe a "contabilidade biruta". 

Biruta era instrumento usado em aeroportos para indicar a direção dos ventos. Naturalmente já foi superado tecnologicamente e substituído por outros. O nome dado era devido ao fato de esse pano em formato de cone indicar as constantes e inesperadas mudanças eólicas. O uso do termo biruta para designar aquele que não segue alguma direção segura ou não tem opinião, deu-se porque o vento muda sem razoável previsibilidade. 

Ao sugerir nova forma de cálculo do teto de gastos mudando o prazo do INPC (Índice Nacional de Preços do Consumidor) de acumulado até junho para os doze meses do ano de 2021 - visto que a inflação será maior nesse período entre janeiro e dezembro, portanto, haverá teto de despesas em valor mais alto - o oportunismo errático fica evidenciado por valerem-se os atuais governantes federais de mudança de regra em favor do momento. Caso aprovada tal alteração é de se pensar o que ocorrerá em situação inversa, quando for a forma anterior for a que permitir teto mais elevado? Será sugerida nova mudança? 

O resultado que o ministro da Economia Paulo Guedes espera, com a flexibilização do teto ou endosso para furar, tem relação com a sua fala, seguida de entrevista, na sexta-feira, do dia 22/10/2021. O ministro afirmou que há desde já 500 bilhões de investimentos contratados para o Brasil e que a imagem e a confiança do país "lá Fora" é boa. Seguramente nenhuma das afirmações tem base com a realidade. Os fartos indicadores econômicos comprovam o contrário e o número de investimentos contratados não encontra lugar. 

Por se tratar de governo que não apresenta reais alternativas para o país, a fantasia é meio para que a realidade não se apresente por inteiro. Falsear ou inventar quimeras, passando por tergiversações e distorções, parece ser a única forma de jogar as tensões para diante, esperando que o futuro (seguramente por milagre!) seja melhor do que o presente. 

O náufrago solitário na ilha distante sonha com seu resgaste. Se assim não fizer se desespera e compromete a sua capacidade de sobreviver. Ao que parece o mesmo ocorre com o ministro Paulo Guedes e sua equipe, cada vez mais desalentada com o governo que serve e ajudou a eleger. O ruim disso tudo é que a trajetória da catástrofe persiste e se avizinha. O que hoje já está ruim em indicadores sociais só tende a piorar. 

Ocorre, no entanto, que o ano de 2022 representa prazo por demais longo se somado ao que resta do ano corrente. O Brasil terá que aguardar longos 14 meses até a posse de quem será eleito. Será que teremos algo de nossa pátria para recuperar até lá?