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As Guerreiras enfrentam obstáculos, mas seguem lutando

João Vitor Segura, apaixonado pela Ferroviária, escreve sobre a fase afeana no Brasileiro Feminino

| ACidadeON/Araraquara

Guerreiras Grenás enfrentam o Vitória no domingo, em busca de reabilitação (Foto: Divulgação)
 

Como dito em 2019, pós Copa do Mundo Feminina, pela excelente jogadora Marta: "Valorize!" e é isso mesmo que devemos fazer, devemos valorizar o futebol feminino. No caso afeano, essa missão é ainda mais importante. Com o posto de um dos maiores clubes do país na modalidade feminina, a Ferroviária é um dos únicos times que ganhou todos os títulos, com Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil no currículo. É por isso que a importância de valorizarmos o futebol feminino afeano é enorme, porém a fase pós-paralisação não é das melhores.  

Com uma excepcional temporada em 2019, a Locomotiva grená elevou a moral dos torcedores para o ano de 2020. E a expectativa foi correspondida. Com 17 gols em 4 jogos, as Guerreiras Grenás priorizavam o ataque pelas faixas direita e esquerda do campo. Com Monalisa, Barrinha, Aline Milene, Rafa Mineira e Chú ou Ludmila trabalhando pelos lados do campo, 9 de 17 gols foram criados pelas laterais do campo.  

Entretanto, mesmo com uma preferência por parte da treinadora Tatiele Silveira em optar pelas laterais, muitos gols são marcados utilizando a faixa central do campo, que é preenchida por Rafa Andrade ou Sâmia e Maglia posicionadas mais defensivamente, além da camisa 7 Sochor, a qual muitas vezes fazia função de falso nove (função esta que faz a centroavante vir para buscar jogo e, consequentemente, ajudar na criação de jogadas).  

Por fim, é importante ressaltar que a defesa sempre foi um ponto forte: com a ídola e capitã Luciana, a defesa vem bem formada desde o gol defendido pela camisa 1, sendo esta composta por Géssica e Luana que, somadas às laterais Monalisa e Barrinha, formam uma defesa com apenas três gols sofridos em 4 jogos, contando apenas o período de pré-paralisação em 2020. Porém, a pandemia chegou e ficamos 7 meses sem jogos femininos futebolísticos e, com ela, o nosso futebol aparenta ter ido embora.  

Com esse cenário, as coisas começaram a desandar. Mesmo com a chegada de Daiane, uma velha conhecida dos torcedores araraquarenses, a qual atua tanto pela lateral direita com pela volância, o time não se encontrou. A jogadora, que foi capitã do time nas conquistas do Paulistão, do Brasileirão, da Copa do Brasil e da Libertadores entre 2013 e 2015, não se adaptou muito, até porque foi escalada em uma posição que não é a sua de origem e a volante Maglia, que foi diagnosticada com Covid-19, foi impossibilitada de continuar sua boa fase pré-paralisação, situação que se somou também à pouca preparação da jogadora em conjunto com o elenco.   

A volante Maglia voltou a treinar com as companheiras (Foto: Divulgação)

Com a falta de ritmo somada a uma "sonolência" por parte do elenco, a Ferroviária não venceu na fase pós-paralisação ainda e soma 3 derrotas em 4 jogos, apresentando um quadro no mínimo preocupante. Mesmo com Tatiele tentando muitas vezes mudanças de estilo de jogo e de peças do time, alternando em poucos jogos para o contra-ataque, visando principalmente à busca de resultados, e dando oportunidades para jogadoras como Sâmia, Carol Tavares e Ludmila, a pequena má fase ainda continua. As laterais permanecem sendo usadas frequentemente, porém não há a mesma eficiência encontrada no início do ano. A falta de ritmo é preocupante, é verdadeira, mas não insuperável.  

A possível solução é o que muitos times vêm executando na fase pós-paralisação: fazer a bola correr. As jogadoras não precisam ter um desgaste de 100%, mas precisam fazer a bola percorrer todo o campo. Como a Ferroviária tem um grande e capacitado elenco, mais rodízios têm que ser feitos, jogadoras como Nenê, Thayciane, Chú, Sâmia e Andréia merecem mais chances, e com essas constantes trocas, o descanso virá e essa falta de ritmo poderá diminuir conforme o tempo passa. 

Nesta última quarta-feira, a Ferroviária visou o resultado, jogando contra o Flamengo assumiu uma postura um pouco mais defensiva, mas mantendo a presença das trocas de passes. Com um gol pela faixa central, construído por Aline Milene e Rafa Mineira, sendo finalizado por Sochor, e uma falha de Luciana em um gol aéreo flamenguista, a Ferroviária voltou do Rio de Janeiro com apenas um ponto na bagagem, ponto esse que foi pouco, pois a vitória escorreu no final. Mesmo com contestações, sobre uma possível falta na camisa 7 Sochor no lance do gol rubro-negro, a Ferroviária teve uma boa atuação, porém pecou nos detalhes e saiu apenas com o empate. 

A Ferroviária tem tudo para sair dessa fase ruim, sem perder o seu estilo. Estilo esse que começa na defesa e chega ao ataque, baseado na troca de passes, e que representa o DNA grená. A ofensividade do time é algo que surpreende e nos alegra muitas vezes, por isso é certo que com melhora nas atuações, os resultados virão, pois são consequências de um bom trabalho. Guerreiem, Guerreiras, o vosso esforço será recompensado, representem-nos e nos tragam alegrias, como sempre fizeram.