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Invencibilidade grená esbarra na turbulência interna

Com Léo Mendes, a equipe grená chega ao seu quarto treinador no ano

| ACidadeON/Araraquara

Leonardo Mendes é o quarto técnico da Ferroviária neste ano (Foto: Divulgação/Tiago Pavini/AFE)
Em 2020, a Ferroviária caminha para o seu quinto ano seguido na primeira divisão paulista e seu terceiro disputando a Série D. Desde 2016 até o atual momento, a Ferroviária contou com 9 técnicos em 5 anos, tendo uma média de 1.8 técnicos por ano. Neste quesito, a Locomotiva se aproxima do São Paulo (com 2.0) e do Palmeiras (com 2.2), mas se distancia do Corinthians (com 2.8) e do Atlético Mineiro (com 2.6). Esses índices elevados provam que a profissão dos comandantes não é das mais fáceis e seguras no país.  

Com Léo Mendes, a equipe grená chega ao seu quarto treinador no ano, já tendo contado anteriormente com Marcelo Vilar, Sérgio Soares e Dado Cavalcanti. E esse alto número de trocas se dá por razões internas. Todos questionaram as demissões de Marcelo e Sérgio, enquanto a maioria aprovou a deposição de Dado, visto que o futebol apresentado não era dos melhores. Com uma contratação firmada na confiança de Saul Klein, o primeiro citado foi despedido do cargo grená antes mesmo de qualquer jogo oficial. Já o segundo, contratado para o Paulistão e Copa do Brasil, foi demitido por alegações de "cortes de gastos" durante a paralisação do futebol, porém o time comandado pelo treinador ex-Ceará era forte e elogiado pelo público. E por fim, o pernambucano de 39 anos, teve seu trabalho interrompido mesmo mantendo a ferrinha invicta no Brasileirão Série D. Essas despedidas feitas pelos cartolas afeanos são vistas como fruto de questões internas, afinal, quem iria demitir um técnico que avançou até a terceira fase da Copa do Brasil e que estava invicto por 8 jogos, como foi o caso de Sérgio Soares. Além disso, as demissões de Sérgio e Dado, somadas também a de Vinicius Munhoz em 2019, esbarraram em fases positivas da Locomotiva, mesmo que algumas dessas trocas tenham melhorado o futebol afeano.  

A última troca, de Dado para a até agora efetivação de Léo Mendes, deu um "up" no futebol da equipe araraquarense. Ao invés de uma lenta troca de passes na criação de jogo e de um foco na faixa central do campo, impostos por Dado, a vez agora é dos passes rápidos e do uso das faixas laterais do campo, com Léo Mendes. No jogo contra o Toledo, atual lanterna do grupo, a Locomotiva demorou a engrenar, mas após o primeiro gol, tornou-se uma Locomotiva desenfreada. Com dois gols de Bruno Mezenga, Felipe Mateus e Tiago Marques, a Ferroviária mudou drasticamente de estilo. Com as entradas de Felipe Mateus e Hygor no time titular, a equipe araraquarense fez uso de um meia ofensivo como criador de jogo e Tony, que realizava esta função, foi recuado a segundo volante, além também de fazer uso de pontas abertos, os quais, com o antigo treinador, eram centralizados. Diante desse fato, a Ferroviária se vê como líder do grupo A7, muito pelo trabalho de Dado Cavalcanti, e enfrenta agora o Mirassol, time paulista com 8 ex-jogadores da Ferroviária.  

Sobre o oponente: um time rápido, recuperação da posse após a perda e uma reconstrução demorada devido a um time muito ofensivo, que faz dos seus laterais como alas ligeiramente mais avançados, o Mirassol conta com Alisson, Alisson Barrinha, Élton, Patrick, Léo Artur, Daniel, Fabrício e Gustavo Henrique como ex-jogadores da Locomotiva. A equipe verde e amarela somou 5 pontos na competição: foi derrotada pela Cabofriense, empatou com o Cascavel e com o Bangu e goleou o Toledo por 6 a 0. O Leão, como é carinhosamente apelidado pelos torcedores, tem um estilo Gegenprass, de recuperação da posse após a sua perda, conta com contra-ataques rápidos e com cruzamentos perigosos, além de muita ofensividade em seu estilo. Os comandados de Eduardo Baptista, técnico ex-Palmeiras e Fluminense, provavelmente não se defenderão perante a Ferroviária, pois em jogos duros contra Bangu e Cabofriense, Eduardo manteve seu estilo, mesmo tendo sido derrotado na disputa contra o time de Cabo Frio - RJ. Pelo lado afeano, devemos esperar da Ferroviária no próximo jogo (Domingo - 19H) a mesma postura exercida contra o Toledo, na última rodada: ofensividade, uso das laterais do campo e passes mais rápidos na criação, somados a lançamentos que cortam o campo, como foi o caso das trocas nas criações dos dois gols de Bruno Mezenga contra o Toledo.  

Portanto, se a Ferroviária corrigir seus problemas internos, manter seu estilo de jogo e dar continuidade a Léo Mendes, técnico jovem, mas campeão da Libertadores da América feminina em 2015, a equipe grená tem tudo para voltar à sua melhor fase. Técnicos não são como camisetas: não devemos trocá-los a todo momento.

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