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Os impactos da insegurança social à cidade

Para essa semana o time do Multipli_Cidade apresenta olhares a respeito da insegurança na cidade

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Você se sente seguro na cidade?
 Para essa semana o time do Multipli_Cidade apresenta os olhares de Fabricio Henrique de Oliveira e Eliane Silva, pesquisadores do Laboratório de Política e Governo da UNESP, a respeito da insegurança na cidade: 
   
    "Os órgãos oficiais de segurança pública do Estado de São Paulo atestam sobre uma acelerada expansão da violência criminal nas cidades interioranas; disso se segue uma crescente sensação de insegurança social e a percepção comum de que violência e crime tornaram-se problemas para os quais as instituições democráticas não apresentam soluções eficazes. Com efeito, Araraquara conviveu nos últimos meses com a explosão de crimes que envolveram horrendas práticas de violência, sobretudo os casos de homicídios e feminícios, de assaltos e roubos, iniciando um cenário caracterizado por uma cultura do medo. 

    De fato, a vida cotidiana e a cidade mudam em razão do medo, refletindo nas conversas diárias em que o crime torna-se o tema central. A ansiedade pela segurança passa ser explorada abertamente por alguns setores no mercado, principalmente com o crescimento das firmas de vigilâncias particulares e com os setores imobiliários, cujos anúncios priorizam sobremaneira à segurança em detrimento do conforto habitacional. Assim, a opção estratégica dos citadinos é a de se retraírem em espaços cada vez mais segregados, fechados dentro de uma realidade que não vai além dos altos muros equipados de cercas eletrificadas, tolhendo seus movimentos e seu universo de interação. Esse movimento favorece a agenda política populista que, com suas soluções fáceis e imediatas, oferecem uma resposta emotiva ao problema da criminalidade e resumem a segurança pública em medidas cada vez mais punitivas.  

    Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Araraquara é uma das cidades menos violentas do Estado, e, embora os índices de roubos e furtos tenham se mantido com baixa variação e até diminuído nos últimos anos, a sensação é de insegurança e medo, haja vista os casos de mortes violentas amplamente divulgados pela mídia. Essa percepção, mais do que resultado de um aumento dos casos de violência criminal, decorre de uma forma de representação e de discursos sobre a realidade que envolvem a violência e o crime na construção de uma lógica de medo e insegurança. A cultura do medo, ao invés de ser resultado do aumento real de crimes violentos praticados, é fonte de outros problemas para a sociedade como a descrença no poder público e a supervalorização de uma lógica de aprisionamento voluntário por parte do cidadão comum.  

    Nesse sentido, mais do que controlar a criminalidade, seja através de uma lógica de exploração mercadológica e ou eleitoral de equipamentos ou serviços de segurança, seja através da propagação de discursos de ódio e revanchismo, cabe ao poder público lidar com o problema da violência social que gera e naturaliza as situações de desigualdade de gênero, raça e renda, base para toda forma de violência criminal. Portanto, uma melhor distribuição de renda, o comprometimento com a educação de qualidade e a expansão de equipamentos de cultura para toda a cidade, por exemplo, são muito mais democráticos e eficazes para o combate ao problema."  

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