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Desafios para a representatividade feminina na política

Não é nada fácil ser mulher na sociedade em que vivemos

| ACidadeON/Araraquara


 

Mulheres ainda são minoria na política nacional
    Para essa semana o time do Multipli_Cidade apresenta os olhares da cientista política, advogada e professora da UEMG, Lígia Barros de Freitas, e da pesquisadora do Laboratório de Política e Governo (UNESP) e socióloga, Kátia Aparecida Baptista, a respeito da representatividade feminina na política brasileira:  

    "No Brasil, em todas as esferas do poder político, as taxas de representatividade das mulheres são muito baixas, embora 51% dos eleitores são mulheres. Em Araraquara, onde igualmente o eleitorado feminino predomina, a situação não é diferente. Na presente legislatura da Câmara de Vereadores, das 18 cadeiras de vereadores, somente duas são ocupadas por mulheres e das sete comissões internas, em nenhuma temos uma mulher como Presidente, fato que reforça a necessidade da discussão sobre a sub-representatividade da mulher em cargos eletivos e a eficácia da lei de cotas eleitorais, a qual garante a reserva de 30% das vagas da candidatura do partido, mas não o assento. A referida lei abre margem para as "candidatas laranjas", ou seja, mulheres que se candidatam, sem ter aderência à política, somente para preencher as cotas obrigatórias do partido, sem a obtenção de expressivos números de votos. 
    Embora haja a discussão sobre a eficiência do tipo de representação de "presença", ou seja, aquela em que mulheres devem ser representadas por mulheres, é certo que se não suficiente esse tipo de representação, é necessário criar espaços plurais de discussões e tomadas de decisões. Outras medidas para a representatividade feminina na política é a criação de Conselhos, Secretarias e órgãos específicos voltados ao interesse das mulheres, devendo ser compostos predominantemente por mulheres, pelo menos até o momento em que se atinja o patamar de igualdade de representação política entre homens e mulheres." Lígia Freitas, cientista política. 
 
    "Não é nada fácil ser mulher na sociedade em que vivemos. Mais difícil ainda é demarcarmos nosso espaço de luta e participação política frente à cultura machista que persegue diariamente as mulheres.
    Uma luz parece reluzir adiante, quando começamos a vislumbrar um cenário que parece se transformar com diversas questões relativas aos direitos das mulheres vindo à tona, como: assédio, aborto, maternidade, violência, entre outros. Entretanto, os obstáculos e desafios impostos pela realidade são muitos e de diversas ordens.
    Em Araraquara, um aspecto positivo decorrente da inserção das mulheres na arena pública, por exemplo, foi a criação do Centro de Defesa dos Direitos da Mulher (CEDRO Mulher), e do Centro de Referência da Mulher "Heleieth Saffioti". Vale lembrar a presença das Promotoras Legais Populares do município, com importante papel e que vêm colocando os desafios das mulheres na política em pauta.
    Todavia, no que se refere à representatividade da mulher na política o debate é insuficiente. Historicamente, na Câmara Municipal de Araraquara, o número máximo de cadeiras ocupadas por mulheres nunca ultrapassou a 3, o que é expressivo da sub-representação feminina nas práticas de tomada de decisão políticas.
     Estabelecer um compromisso com esta luta é necessário, visando a defesa dos direitos humanos das mulheres, a equidade de gênero, a representação de seus interesses, assim como a construção de uma sociedade onde as mulheres sejam respeitadas e reconhecidas como portadoras de valores sociais e políticos." Kátia Baptista, socióloga.


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