Moro em: "Pepino, o Breve"

Ao longo desse pouco mais de um ano à frente do Ministério da Justiça Moro apresentou ao país o que realmente é: um juiz

| ACidadeON/Araraquara -

O ex-ministro Sergio Moro (Foto: CJPress/Folhapress)
O dia começou com o agora ex-ministro, Sérgio Moro, estrelando: "Pepino, o Breve". Diferente do reinado do legítimo rei dos francos entre 751 a 768, que ganhou tal apelido devido a sua baixa estatura, o reinado de Moro à frente do Ministério da Justiça chegou ao fim em meio a uma crise política sem precedentes no governo Bolsonaro. Independente de possuir ou não pretensões políticas o ex-ministro saiu menor do que entrou, além de ter lidado com um baita pepino: a exoneração do diretor geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo, com a sua assinatura digital no Diário Oficial de hoje, mas sem o seu consentimento.  

Ao longo desse pouco mais de um ano à frente do Ministério da Justiça Moro apresentou ao país o que realmente é: um juiz. E não um político. Acumulou derrotas no Congresso quanto ao seu pacote anticorrupção, acompanhou a PF instável durante todo o ano passado e sentiu que o seu desejo de chegar até o STF (por mais que confesse nunca ter existido) acabou por ser frustrado por Bolsonaro. Entrou com status de popstar no governo. Saiu como ministro discreto e vaidoso, preocupado em manter a sua imagem consolidada diante da opinião pública como combatente fiel e intolerante à corrupção.  

Ainda assim é o ministro que sai com uma das avaliações mais positivas. Em dezembro de 2019 possuía 53% de ótimo e bom de acordo com dados do DataFolha. Mais cedo, em sua coletiva de imprensa, foi incisivo ao sair do governo atirando contra o presidente. 

Destacou principalmente que não poderia concordar em prosseguir com o compromisso que havia assumido quando decidiu entrar no time de Bolsonaro: conduzir o ministério e as nomeações em bases técnicas. Isso porque, nas suas próprias palavras: "o presidente me disse mais de uma vez que queria alguém que ele pudesse ligar e colher informações". Por meio dessa declaração, Moro revelou o desejo de Bolsonaro em limitar a autonomia da PF uma vez que deseja interferir politicamente sobre ela, o que pode gerar resultados imprevisíveis em sua avaliação. O presidente logo em seguida foi a público dizer que irá "reestabelecer a verdade". Alguém crê?  

O resumo da epopeia é nítido: Bolsonaro se aproximou do "centrão" não porque resolveu montar um governo a essa altura do campeonato, mas porque entende que logo pode precisar do necessário um terço de votos (172) para livrá-lo, de um cada vez mais próximo, processo de impeachment. Com a saída de Moro o próximo no horizonte é outro superministro, Guedes. O liberal e reformista que em meio a essa pandemia tem que endossar um "keynesianismo a la brasileira". Para ajudar, Maia precisará se posicionar sobre mais um pedido de impeachment após decisão de Celso de Mello no STF. Já se amontoam em sua mesa mais de duas dúzias de pedidos. E, depois da fala de Moro, fica claro que a PF achou alguma coisa. Só não enxerga quem não quer.  

O que os lavajatistas e bolsonaristas pensam sobre tudo isso? Corrupto confesso dando a mão para o presidente, loteamento de cargos ocorrendo escancaradamente e ministro deixando o cargo em pleno caos político. É crise de todos os lados. Enfim, o governo durará até quando? Façam suas apostas.