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Veja como terminou na Justiça a invasão e incêndio de joalheria em Araraquara

Blog Notícia do Dias acompanha o desfecho de casos que movimentam a polícia e a Justiça

| ACidadeON/Araraquara

 
Durante este mês a proposta do Blog Notícia do Dias é recuperar alguns casos já antigos, mas que deixaram no ar algumas perguntas, entre elas: que fim deu? Lembramos de um caso revoltante de outubro do ano passado, quando bandidos invadiram a Joalheria Nova, na Rua Nove de Julho (Rua Dois), no Centro de Araraquara, e usando um carro para arrombar as portas de aço, levaram vários relógios e ainda atearam fogo. Lembram-se disso?

A decisão foi expedida em 28 de maio deste ano condenando as quatro pessoas envolvidas [sentenciar é uma coisa, manter presa é outra]. Lais, Alexandre, Matheus e Gabriela foram denunciados por formação de quadrilha, furto, além de crimes previstos no Código Penal como causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem; e por agirem em mais de dois crimes. Antes, talvez, seja preciso explicar um pouco sobre os autores.  

 
De acordo com a denúncia, Lais e Matheus são casados e muito amigos de Alexandre e Gabriela, sendo que, em determinado momento, combinaram de praticar crimes patrimoniais em Araraquara, especialmente furtos, utilizando-se para tanto de tesoura de cortar vergalhão, marreta, luvas pretas e até mesmo simulacro de arma de fogo - objetos esses apreendidos na casa de Alexandre, bem como do seu veículo, uma Santana Quantum.

Lais também locava carros e os dirigia para as práticas delitivas [um deles foi usado no crime e ela acompanhou vendo tudo no banco do motorista]. Na denúncia, resultado da ação da Polícia Militar e Civil, está registrado que na madrugada do dia 15 de outubro de 2018, ou seja, durante o repouso noturno, mais uma vez colocando em prática o propósito criminoso, o grupo agiu contra a "Joalheria Nova", na Rua Nove de Julho, no Centro.  

 
O caso repercutiu bastante na época diante da destruição mostrada nas imagens captadas por uma câmera de segurança. O fato é que um deles montou uma rampa para que eles jogassem o carro em cima da loja, rompendo o obstáculo e levando embora produtos ali comercializados, dentre eles, 22 relógios. Se já não bastasse o prejuízo do furto, o grupo ainda ateou fogo no carro deixado no local destruindo toda a joalheria e relojoaria.

O grupo só deu azar porque um policial viu o carro [alugado] na madrugada e, depois do fato, ligou os pontos encontrando-o abandonado atrás de um posto de combustíveis. Dentro, relógios furtados e resquícios de drogas consumidas [maconha e cocaína]. A trapalhada do grupo ficou pior porque eles deixaram dentro os documentos pessoais de Lais e Matheus. Não demorou muito para os pms prenderem os dois. Em seguida, os colegas.  

 
Os casais passaram por audiência de custódia e a prisão em flagrante foi trocada pela preventiva, ou seja, todos deveriam permanecer presos até o fim do processo. Mas, como sempre, a teoria nem sempre se aplica na prática. Lais e Matheus foram soltos por um Habeas Corpus [ação judicial com o objetivo de proteger o direito de liberdade de locomoção lesado ou ameaçado por ato abusivo de autoridade].

Gabriela também foi liberada para ficar em prisão domiciliar. Só Alexandre ficou preso. O julgamento foi marcado para responsabilizar os autores que deixaram um prejuízo de R$ 300 mil. Testemunhas confirmaram praticamente tudo: eles eram os autores dos crimes e Lais locou o carro para o ato. Em juízo, todos admitiram envolvimento com o caso. Alexandre admitiu o furto e negou o incêndio. Gabriela culpou Alexandre e Matheus por atearem fogo na loja. Lais só reconheceu ter alugado o caso, mas sem saber qual seria o objetivo dos amigos. Já o marido dela, Matheus, também livrou a bronca da esposa.  

 
Para a Justiça, a versão apresentada por Lais não convence. A divergência afasta a tese de que ela não sabia da prática criminosa. Por isso, Lais foi condenada a oito anos de reclusão, regime inicial semiaberto e ao pagamento de 25 dias-multa; Matheus foi sentenciado às penas de sete anos e oito meses de reclusão, regime inicial semiaberto e ao pagamento de 24 dias-multa; Alexandre pegou nove anos e quatro meses de reclusão, regime inicial fechado e ao pagamento de 30 dias-multa, enquanto Gabriela levou oito anos e dois meses de reclusão, regime inicial fechado e ao pagamento de 25 dias-multa.

O juiz Roberto Raineri Simão, da 3ª Vara Criminal de Araraquara, negou a Alexandre o direito de recorrer em liberdade, tendo em vista que ainda persistem as razões que fundamentam a prisão preventiva. Além disso, ele é multireincidente em crime patrimonial [já tinha condenação por furtar alto-falante de carro]. Já Gabriela pôde permanecer em regime domiciliar. Na ocasião, em razão da comprovação da materialidade e da autoria delitiva e para a garantia da ordem pública, o juiz mandou prender Lais e Mateus.  

 
Mas, para ela, não teve a cadeia em si. Como tinha um Habeas Corpus, foi determinada, na ocasião, a prisão domiciliar devendo permanecer em casa em tempo integral, salvo para caso de assistência médica e hospitalar. Uma eventual transgressão a qualquer uma das sobreditas medidas implicaria na imediata revogação trocando a casa por instituição penal. Mas, em junho, apesar da condenação, novo HC liberou Lais e Matheus para ficarem livres novamente. Gabriela, em tese, deve ficar em casa. Alexandre é para estar preso.

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