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Fechado para balanço

A Copa Paulista acabou sendo um laboratório insuficiente para a Ferroviária, o que é mais importante do que a própria desclassificação na 3ª fase da competição

| ACidadeON/Araraquara

Ferroviária perdeu em casa para o São Caetano (Foto: Divulgação/Ferroviária)
Com a classificação já assegurada para a Série D do ano que vem, a Copa Paulista deveria ter servido como um laboratório para a Ferroviária, priorizando a consolidação de sua ideia de jogo, a montagem do elenco para o Paulistão do ano que vem e a rodagem de jogadores formados nas categorias de base do clube.  

Em relação ao desempenho, a Ferroviária optou por realizar o jogo posicional, o que significa um time que joga mais em função do espaço do que em função da bola. Ou seja, os jogadores não devem sair de suas posições para receber a bola, mas a bola deve ser passada por cada jogador até que ela chegue no setor desejado. Esse seria o conceito estruturante do modelo de jogo de Vinícius Munhoz.  

Para que a teoria se transformasse em prática, a equipe buscava posicionar seus jogadores de meio-campo no setor entrelinhas do adversário. Portanto, sempre que estivesse com a posse da bola, era necessário que seus meio-campistas ocupassem o espaço vazio entre os setores de meio-campo e de defesa do rival. Além disso, a Ferroviária se valia de "zagueiros-construtores", que arquitetavam o jogo com passes curtos e lançamentos diretos para os atacantes. O objetivo era fazer com que a bola chegasse a uma zona desocupada para gerar a desorganização defensiva do oponente. No futebol, atacar é sinônimo de bagunçar.  

Contudo, as boas intenções não traduziram-se em ação, o que resultou em um time pouco criativo no ataque e que, por várias vezes, na tentativa de realizar o jogo entrelinhas ou o passe em profundidade, perdia a bola. São dois lados da mesma moeda que explicam a baixa produção ofensiva da equipe, como também o sofrimento afeano com os contra-ataques dos rivais.  

No que se refere ao elenco, a Ferroviária foi instável na montagem do time para o ciclo pós-Paulistão.  

Esse dado ganha notoriedade se colocarmos em perspectiva jogadores contratados pelo clube que não tiveram sequência dentro de campo, tomando como exemplos o zagueiro Luiz Otávio, os meio-campistas Bruno Morais, Clayton, Raphael Luz e Rodrigo Celeste e os atacantes Dedé Costa e Raul. Sem entrar no mérito da qualidade individual de cada um, são atletas que passaram por Araraquara, não ficaram nem um semestre a bordo da Locomotiva e já foram embora. Parte desses jogadores não vestiram o manto grená nem em cinco oportunidades.  

Além disso, o clube anunciou três jogadores durante a disputa da Copa Paulista, o zagueiro Maurício, o lateral-esquerdo Edu Pina e o atacante Léo Jaime. Atletas que também disputaram poucos jogos pela Ferroviária e que, excetuando o defensor que demonstrou margem para evolução, são contratações que não se justificam, por não serem jovens com potencial de desenvolvimento, nem atletas com nível para disputar o Campeonato Paulista.  

Desse modo, desde o fim do Paulistão, a Ferroviária não conseguiu definir um elenco para as competições que disputou no restante do ano. A regularidade é fundamental para avaliar os resultados de um experimento em laboratório. Sem sequência, é difícil decantar quais jogadores que disputaram a Copa Paulista poderão ser aproveitados no estadual do ano que vem.  

A oportunidade para os jogadores formados em suas categorias de base foi o ponto positivo da Ferroviária nesse segundo semestre. Aproximadamente 17 jogadores formados pelo clube tiveram chances no time profissional durante a disputa da Copa Paulista, testando os jovens talentos em um contexto de maior competitividade, o que é fundamental para o processo de amadurecimento de qualquer atleta e ser humano. O destaque fica para o meio-campista Johninha, que fez ótimos jogos durante a competição.  

Portanto, a Copa Paulista acabou sendo um laboratório insuficiente para a Ferroviária, o que é mais importante do que a própria desclassificação na 3ª fase do campeonato. Se o resultado final fosse diferente, as críticas ao processo seriam exatamente as mesmas.  

São desvios de rota que precisam de correção para manter a Locomotiva nos trilhos. 

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