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Na noite de hoje, Simón Bolívar é afeano

Nada mais significativo que a taça que homenageia os libertadores do nosso continente seja conquistada por um time de Guerreiras

| ACidadeON/Araraquara

Guerreiras Grenás seguem vivas na luta pelo Bi da Libertadores. (Foto: Divulgação)
Depois de estar entre as quatro melhores equipes do Campeonato Paulista e conquistar o título do Campeonato Brasileiro, as Guerreiras Grenás, que fazem mais pressão em campo do que a altitude de Quito, chegaram à final da Copa Libertadores. A segunda na história afeana, podendo conduzir o clube ao bicampeonato do torneio.  

Em sua trajetória continental pelo Equador, as atuais campeãs brasileiras, que estavam no grupo B da competição, enfrentaram na primeira fase o Mundo Futuro, da Bolívia, o Estudiantes Caracas, da Venezuela, e o Deportivo Cuenca, que jogava em casa. Venceram as duas primeiras equipes pelos placares de 10 a 1 e 4 a 1, respectivamente, e foram derrotadas por 2 a 1 pelas anfitriãs do torneio. Classificadas para a fase seguinte com o segundo lugar do grupo, venceram nas quartas de final a equipe colombiana do Atlético Huila, ganhadora do torneio no ano de 2018, por 3 a 2, e passaram pelas semifinais vencendo o Cerro Porteño, do Paraguai, por 2 a 1.  

A Ferroviária chega até a final com o melhor ataque da competição, atingindo a impressionante marca de 20 gols marcados em 5 jogos. O ponto negativo é a defesa, que levou gols em todas partidas do torneio, contabilizando sete tentos sofridos ao todo.  

Individualmente, além da goleira Luciana, principal jogadora do time grená e protagonista na conquista do Campeonato Brasileiro, os destaques da equipe na competição são a meio-campista e capitã Maglia, com atuação decisiva no confronto de semifinais com dois gols e uma assistência, a meia-atacante Aline Milene, presente nas últimas convocações de Pia Sundhage, treinadora sueca da seleção brasileira, e a atacante Nathane, artilheira da Libertadores com nove gols.  

Na final, o destino quis que Ferroviária e Corinthians se cruzassem mais uma vez, consagrando um novo clássico do futebol feminino brasileiro. Depois de uma semifinal de Paulistão, vencida com autoridade pelo time alvinegro, e uma final de Campeonato Brasileiro, conquistada pela persistência grená, as fronteiras geográficas tornaram-se pequenas para o confronto, e agora afeanas e corintianas entram em campo em disputa pela conquista da América. Essa será a primeira finalíssima entre equipes brasileiras em dez edições do torneio. O jogo será hoje (28), às 21h30 no horário brasileiro.  

Vale lembrar que a ótima equipe corintiana está invicta desde o dia 21 de março desse ano. O bando de loucas não perde seus jogos nem mesmo quando são derrotadas, como ficou claro na final do Brasileirão desse ano.  

No ano mais importante da história da modalidade, é simbólico que as Guerreiras Grenás se sobressaiam contra times com poderio financeiro muito maior e afirmem seu lugar no topo da hierarquia das principais equipes do futebol feminino sul-americano. Se for campeã, a Ferrinha pode ser a primeira a conquistar o Campeonato Brasileiro e a Libertadores em um mesmo ano. Uma conquista que combina com Tatiele Silveira, a treinadora de feitos inéditos.  

Em um momento no qual o povo latino-americano vai às ruas em defesa de seus direitos, na luta contra governantes que contribuem para o mal-estar social generalizado que se dissemina pela região, nada mais significativo que a taça que homenageia os libertadores do nosso continente seja conquistada por um time de Guerreiras, notabilizadas por resistirem nos campos de batalha. O sangue que cura as veias abertas da América Latina tem a cor grená.  

Porque se Deus é brasileiro, na noite de hoje, Simón Bolívar é afeano.

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