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O fim da linha para Fábio Carille

O grupo corintiano tinha potencial para atingir um desempenho muito melhor do que o que foi apresentado esse ano

| ACidadeON/Araraquara

Técnico Fábio Carille fez trabalho visando clássico no fim de semana. (Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians)
Após a derrota por 4 a 1 contra o Flamengo, como desfecho da crise corintiana, a diretoria alvinegra adiantou o que já estava tacitamente anunciado para o final do ano e, nesse domingo (3), demitiu Fábio Carille do comando técnico do Corinthians.  

Outros profissionais da comissão técnica e da direção do clube também foram dispensados, o que indica um processo de reformulação em curso.  

Com Carille, o desempenho corintiano ficou marcado pela inoperância, atingindo um desequilíbrio alarmante na sequência que completou oito jogos sem vitória. A baixa produção ofensiva, um problema crônico manifesto desde o início do ano, mas que não impediu o esquadrão alvinegro de sagrar-se campeão paulista, e a desorganização da defesa, um dos pilares que estruturavam o time do Corinthians, atormentaram o bando de loucos no último período. 

Com a bola, faltava mobilidade para os comandados de Carille agredirem a defesa dos rivais. Os jogadores não se movimentavam para abrir espaços no campo adversário, assim como a troca de passes era feita com lentidão. Como consequência, o time apelava em excesso para os cruzamentos na grande área, um recurso válido, mas que indicava o baixo repertório criativo da equipe corintiana.  

Já sem a bola, a última linha de defensores do Corinthians estava completamente desprotegida, o que ficou claro nas partidas contra CSA e Flamengo. Além disso, quando o clube conseguia "fechar a casinha", a equipe acabava por não conseguir fazer a transição ofensiva com qualidade, o que fazia dos jogos um embate entre a defesa alvinegra e o ataque do oponente, como aconteceu no clássico contra o Santos.  

Ao contrário do que sugere o mau hábito do binarismo, as equipes não devem optar por, ou jogar bem ofensivamente, ou jogar bem defensivamente. Os times campeões costumam fazer as duas coisas com excelência, com os mais variados conceitos estruturando os mais diversos modelos de jogo.  

Além do mais, em comparação com as outras equipes do Brasileirão, ao contrário do que sugerem as declarações equivocadas de Carille, o problema do Corinthians não foi falta de qualidade técnica em seu elenco. Poucos times encontram em seu plantel jogadores do nível de Cássio, Fagner, Gil, Júnior Urso e Pedrinho. Ou olham para seu setor de ataque e possuem opções com as qualidades de Boselli, Gustagol e Vágner Love. Até mesmo Clayson e Ramiro, que fizeram um ano ruim, são bons jogadores que podem ser recuperados.  

Portanto, não faltou matéria-prima. O grupo corintiano tinha potencial para atingir um desempenho muito melhor do que o que foi apresentado esse ano.  

Um outro ponto importante de mencionar é o mau momento financeiro que o Corinthians tem vivido, um ônus não planejado do projeto que levou à construção de seu estádio, e que impacta diretamente a estabilidade do ambiente de trabalho de qualquer clube. Nenhum insucesso desportivo é responsabilidade só de quem entra em campo. 

Nesse cenário, só não pode ser confundido o mal trabalhado realizado por Carille em sua segunda passagem pelo Parque São Jorge com uma crítica à identidade de jogo que caracteriza o clube alvinegro desde 2008. O Corinthians não precisa mudar os conceitos que balizam sua filosofia de jogo. Priorizar a solidez defensiva e a transição rápida para o ataque não são sinônimos de um time inofensivo e "retranqueiro". Se fosse, não teria conquistado a América e o mundo em 2012, nem vencido os títulos brasileiros de 2011, 2015 e 2017.  

Por essas razões, no momento, Tiago Nunes é a melhor opção para o Corinthians. O atual treinador do Athletico Paranaense carrega em sua ideia de jogo a intensidade e a agressividade que são marcas dos times corintianos vitoriosos. Por ele, vale a pena esperar até 2020. 

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