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O clássico entre Santos e São Paulo

No saldo final da partida, o placar de 1 a 1 ficou de bom tamanho, mesmo que o Santos tenha sido ligeiramente superior

| ACidadeON/Araraquara

Santos e São Paulo empataram por 1 a 1 em clássico disputado na Vila Belmiro. (Foto: Ivan Storti / Santos FC)
O jogo entre Santos e São Paulo, disputado nesse sábado (16), na Vila Belmiro, foi um dos melhores clássicos desse Campeonato Brasileiro.  

Provando que um bom treinador é aquele capaz de adaptar seu time às circunstâncias do jogo, ao invés de tentar controlar a partida através da posse de bola no setor de meio-campo, Jorge Sampaoli optou por montar um time de contra-ataques rápidos, marcando pressão na saída de bola e no setor de meio-campo do São Paulo. Uma opção inteligente, tendo em vista a dificuldade são-paulina na transição defensiva.  

O primeiro gol do alvinegro praiano foi fruto dessa estratégia. O pênalti sofrido por Evandro tem sua origem em um desarme de Carlos Sanchéz sobre Jucilei. O próprio uruguaio bateu e converteu a cobrança.  

No segundo tempo, com a entrada de Liziero no lugar de Jucilei, o São Paulo evoluiu na etapa final, conseguindo controlar o jogo no meio-campo. Estando em suas melhores condições físicas, o jogador revelado em Cotia é imprescindível nos onze inicias da equipe tricolor.  

Com o jogo equilibrado, o gol são-paulino também saiu de uma jogada de contra-ataque, em um dos poucos momentos em que a marcação pressão do Santos não funcionou. Pablo e Vitor Bueno articularam a jogada que culminou no gol de Daniel Alves, que passou sem marcação pelo corredor esquerdo da defesa santista.  

Os jogos nem sempre estão sob o controle dos treinadores.  

No saldo final da partida, o placar de 1 a 1 ficou de bom tamanho, mesmo que o Santos tenha sido ligeiramente superior.  

Na terceira colocação do Brasileirão, o Santos está disputando um campeonato que não é o seu. Envolvido em uma séria crise política, com as finanças desequilibradas e sem um projeto de futebol para o clube, surpreende que a equipe tenha disputado o título brasileiro na primeira metade da competição e esteja agora com uma vaga praticamente assegurada para as fases de grupo da Libertadores. 

É necessário ressaltar o desempenho dos jogadores santistas e o excelente trabalho realizado por Sampaoli.  

Do mesmo modo, é lucrativa a quinta posição da equipe são-paulina, encaminhando sua classificação para a pré-Libertadores. Três trocas de treinadores durante a temporada, a saída de um coordenador técnico de trabalho incerto e a contratação sem critério de novos jogadores, são os ingredientes da receita gestora do futebol tricolor.  

É impossível exigir resultados nesse cenário. Não tem Daniel Alves que salve.  

Por fim, vale destacar a campanha realizada pelo Santos em parceria com o Observatório da Discriminação Racial do Futebol. Os números das camisas usadas pelos jogadores revelavam, em porcentagem, a relação profunda entre desigualdade social, violência e racismo.  

Por exemplo, Jean Mota, Everson e Gustavo Henrique nos lembraram, respectivamente, que os negros e negras são vítimas de 75% dos homicídios, 79% das mortes violentas e 85% dos casos de trabalho escravo. Números que não são obras do acaso, mas oriundos do legado da escravidão na sociedade brasileira.  

Por essa e outras razões é que se faz tão necessário um dia da Consciência Negra, para que tiremos o véu que cobre o racismo e que encaremos a responsabilidade de cada um de nós na luta antirracista.  

Que o presidente Jair Bolsonaro, presente na Vila Belmiro no último sábado, tenha entendido o recado.  

MS SPORTS E FERROVIÁRIA  

"Eu nunca vi um saco de dinheiro fazer gol". Assim definiu Johan Cruyff, símbolo do carrossel holandês e patrono da La Masia, os times que não tinham nada, além de dinheiro.  

Que a bem-vinda MS Sports, nova investidora da Ferroviária S.A que liderará o projeto esportivo da instituição, tenha isso em mente em seu plano de colocar, em cinco anos, a Ferroviária na primeira divisão do Campeonato Brasileiro.  

Sem uma concepção clara de futebol, alicerçada em um projeto de longo prazo, não há dinheiro que faça milagres. As manifestações oficiais das partes apontam que a empresa dará continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido pelo clube, o que é um bom indicativo.  

Todos os torcedores ambicionam pela volta da Locomotiva às principais competições do futebol brasileiro. Que cuidemos dos trilhos que conduzirão a esse caminho.

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