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A ousadia presente nas ideais de jogo da jovem Locomotiva

O mais importante é o processo de implementação de uma filosofia de jogo que caracterize a identidade do clube desde as categorias de base

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Ferroviária garantiu classificação com uma rodada de antecedência. (Foto: Divulgação/Ferroviária)
Com a vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras na última quarta-feira (8), na Fonte Luminosa, a Ferroviária se classificou, pelo segundo ano consecutivo, em primeiro lugar de seu grupo na Copa São Paulo de Futebol Júnior -- no ano passado, esteve à frente do São Paulo, que se sagraria campeão da competição.   

No domingo (12), jogando mais uma vez em seus domínios, a equipe enfrentará o Goiás pela segunda fase do torneio, e vale a pena detalhar o modelo de jogo da jovem Locomotiva conduzida pelo treinador Leonardo Mendes.  

Em seu jogo coletivo, os meninos afeanos trabalham a posse de bola desde o campo de defesa, com o goleiro Léo Wall, os zagueiros Gustavo e Gabriel, os laterais Vinicius e Victor Hugo e o volante Willian Monteiro. Nessa fase de construção, o meio-campista Claudinho, com funções táticas híbridas, joga como um meia interior pela esquerda, dando apoio para realizar a transição ofensiva.  

Para gerar linhas de passe no meio-campo, o lateral-esquerdo Victor Hugo se posiciona por dentro, possibilitando que haja uma triangulação entre ele, Claudinho e Jhoninha, que ora atua como extremo pelo lado esquerdo, ora atua como meio-campista ofensivo.  

Com isso, a Ferroviária induz a marcação do adversário para um mesmo setor do campo, fazendo com que o lado oposto fique descoberto. Desse modo, seja através de uma ação ofensiva pelas laterais, seja conduzindo a bola para o meio-campo, a indução espacial feita pelos atletas da Locomotiva promove desequilíbrio no sistema defensivo do oponente.  

Nesse sentido, tanto para finalizar a jogada, quanto para sua construção desde o campo de defesa, o apoio do volante Willian Monteiro é fundamental. Além disso, para gerar mais profundidade pelo centro do ataque, o jovem meio-campista Ian, de apenas 16 anos, costuma se posicionar próximo ao centroavante David -- que já marcou quatro gols na competição.  

Portanto, a Ferroviária de Leonardo Mendes tem uma estratégia ousada no esforço de gerar superioridade numérica em seu momento ofensivo. Ademais, a Ferrinha não é uma equipe que trabalha a posse de bola como quem joga segurando uma ampulheta. É um time que busca gerar rapidamente desorganização espacial na defesa adversária, com o objetivo de atacar os espaços que ficam livres.  

No momento defensivo, a AFE marca pressão na saída de bola do oponente, impelindo o setor em que o time adversário estiver com a bola. Com isso, muitas vezes vemos Luiz Claudio, que joga como extremo pelo lado direito, posicionado no meio-campo, pressionando os volantes e meio-campistas rivais.  

Quando o adversário consegue sair da pressão imposta pela Ferroviária, a linha de defesa afeana é eficiente ao fechar os espaços centrais, impedindo que o rival infiltre em sua área. Não a toa, o time até então só foi vazado uma única vez, contra o União Rondonópolis-MT, em um gol fruto de um erro cometido na saída de bola da Ferrinha.  

Logo, é de elevado grau de complexidade as ideias de jogo interpretadas pelos jovens da Ferroviária.  

Contudo, mais importante do que os resultados alcançados -- desde 2017 que a Ferroviária, em seus domínios, não é derrotada por um grande de São Paulo na primeira fase da Copinha --, é o processo de implementação de uma filosofia de jogo que caracterize a identidade do clube desde as categorias de base e contribua para uma formação conceitualmente ampla dos jovens jogadores.  

O ciclo formativo desses atletas só será finalizado quando for feita a transição para o futebol profissional. De nada adianta vencer, sem revelar.  

Que esse processo seja conduzido com sabedoria pela Ferroviária. 

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