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Diferentes presságios para 2020

Enquanto Tiago Nunes fez seu primeiro ensaio como técnico do Corinthians, a Ferroviária, depois de 24 dias, trocou mais uma vez de treinador

| ACidadeON/Araraquara

Luan marcou os dois gols da vitória do Corinthians sobre o New York City. (Foto: Igor Castro/Florida Cup/Divulgação)
Na última quarta-feira (15), o Corinthians fez sua estreia na temporada, jogando partida amistosa contra o New York City, em confronto válido pela Florida Cup, torneio de pré-temporada que acontece nos Estados Unidos. O jogo serviu como primeiro ensaio para Tiago Nunes, novo técnico do clube, que pôde testar na prática os primeiros conceitos de seu modelo de jogo.  

Em sua saída de bola, o Corinthians realizou um jogo apoiado, iniciado pelo goleiro Cássio, que trabalhava a bola com os laterais Fagner e Lucas Piton e os zagueiros Pedro Henrique e Gil, que também recebiam opções de passe dos volantes Camacho e Cantillo -- jogador colombiano, contratado junto ao Junior Barranquilla. A ideia de sair do campo defensivo com o domínio da posse de bola foi dificultada pela marcação do adversário, que não pressionava os defensores corintianos, mas as linhas de passe do time, impedindo que o alvinegro fizesse a bola circula até o meio-campo 

Nesse sentido, em alguns momentos, Castillo e Camacho atuavam muito próximos aos jogadores de defesa, o que fazia com que o Corinthians ficasse preso em seu setor defensivo. É possível que essa movimentação tivesse como objetivo induzir a marcação pressão da equipe estadunidense para gerar espaços às costas da linha de meio-campo do rival. Contudo, se foi essa a estratégia, ela acabou por não ser bem-sucedida.  

Com isso, as melhores transições ofensivas da equipe aconteceram quando Luan, estreante vindo do Grêmio e que atuou como meia-atacante, vinha buscar a bola às costas do meio-campo do New York City.  

No momento ofensivo, o Corinthians tinha Luan atuando com liberdade de movimentação pelo centro do campo, Fagner e Lucas Piton posicionados à frente pelos lados, com os jogadores de beirada, Janderson, pela esquerda, e Ramiro, pela direita, deslocando-se por dentro, e Boselli como centroavante. Desse modo, o alvinegro garantia a amplitude do time com seus laterais e tinha opções de passe entrelinhas com seus jogadores de frente.   

Entretanto, é importante apontar que Janderson e Ramiro cumpriram funções táticas distintas. Enquanto o último funcionou como um jogador de construção no meio-campo, o primeiro desempenhou o papel de atacar a linha defensiva adversária. Portanto, Ramiro foi meio-campista e Janderson atuou como extremo.  

Sem a bola, com excelente execução, a equipe marcou pressão em linha alta, posicionada em um 4-4-2, com o Corinthians sempre formando um triângulo ocupado por um atacante, um jogador de lado de campo e um volante para pressionar a defesa rival, tendo como objetivo recuperar a bola ainda em seu campo de ataque.  

Foi essa a formação do primeiro tempo, e na segunda etapa Tiago Nunes trocou todos os jogadores do time.  

As principais novidades da equipe no segundo tempo foram a estreia do jovem Davó, contratado junto ao Guarani, a experiência de Danilo Avelar, lateral-esquerdo de origem, atuando como zagueiro, e Vágner Love jogando na mesma posição que Luan.  

O jogo terminou com vitória alvinegra pelo placar de 2 a 1, com dois belos gols marcados por Luan -- um de falta e outro em uma finalização de fora de área --, despertando a esperança na Fiel de que aquele que foi o "Rei da América" em 2017 pode reencontrar o seu melhor futebol no Corinthians. O tento do New York City veio na segunda etapa, em gol contra do corintiano Bruno Mendéz.  

Na pré-temporada, mais importante que os resultados são as execuções das ideias. Na Florida, os corintianos tiveram um bom presságio de como o time deve jogar em 2020.  

TRILHANDO NA CONTRAMÃO  

Em Araraquara, após 24 dias, nenhum jogo disputado e a uma semana da estreia no Paulistão, a Ferroviária trocou (mais uma vez) de treinador, substituindo Marcelo Vilar -- que já havia substituído Vinicius Munhoz -- por Sérgio Soares.  

O problema não é quem vem, tampouco quem estava, mas a falta de planejamento do clube para o seu futebol. Até o momento, a parceria entre Ferroviária e MS Sports trilha na contramão da modernização do futebol profissional.  

Um caminho que, mantida essa direção, dificilmente levará a Locomotiva, em cinco anos, à elite do futebol brasileiro.  

A torcida afeana vive um mau presságio para 2020. 

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