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A estreia da Ferroviária no Campeonato Paulista 2020

Como nos ensinou Johan Cruyff, símbolo do futebol total, não basta ter a bola, é necessário saber o que fazer com ela

| ACidadeON/Araraquara

Hygor chora após anotar o gol de empate da Ferroviária (Foto: Divulgação/Jonatan Dutra/AFE)
Na última quinta-feira (23), na Fonte Luminosa, a Ferroviária estreou pelo Campeonato Paulista, empatando com o Mirassol por 1 a 1.  

A Locomotiva iniciou o seu jogo com Saulo no gol, a linha defensiva composta por Lucas Mendes e Euller nas laterais e Rayan e Max na zaga. No centro do meio-campo, Higor Meritão foi acompanhado por Caio Rangel, enquanto pelos lados atuaram Felipe Ferreira e Fellipe Mateus, com Léo Artur e Henan mais avançados no campo de ataque.  

No banco de reservas, estreava também Sérgio Soares.  

No primeiro tempo, a Ferroviária iniciou seu jogo marcando pressão sobre a defesa do Mirassol, recuperando a bola e avançando, em velocidade, para o campo de ataque. Nesse sentido, o meio-campo composto por Higor Meritão e Caio Rangel -- atacante de lado de campo que atuou como segundo volante -- tinha como objetivo interromper a transição ofensiva do rival para atacar sua desorganização defensiva.  

Com isso, Caio Rangel, Felipe Ferreira, Fellipe Mateus e Léo Artur receberiam a bola de frente, contra uma defesa do Mirassol ainda desestabilizada. Contudo, a estratégia funcionou por não mais que quinze minutos.  

Ainda no primeiro tempo, o Mirassol reordenou o seu funcionamento coletivo, explorando as deficiências defensivas de uma Ferroviária que jogava em linha alta, mas descompactada e sem pressionar o adversário ao perder a posse de bola. Como consequência, o Leão explorava os espaços livres deixados na defesa da Locomotiva. Foi assim que os comandados de Ricardo Catalá abriram o placar.  

Em jogada construída pelo lado esquerdo da defesa da Ferroviária, Daniel Borges, lateral-direito do Mirassol, recupera a posse de bola quando Euller ainda estava no campo de ataque, sendo Fellipe Mateus o responsável pela cobertura defensiva daquele espaço. O meia afeano erra ao tentar dar o bote ao invés de retardar a jogada, já que havia um corredor às suas costas, o que faz com que Higor Meritão tivesse que se deslocar para aquele setor para impedir o avanço do adversário, desocupando o meio-campo afeano. Desse modo, Caio Rangel ficou solitário no ofício de proteger a entrada de área da Locomotiva.  

Com isso, foi simples para o Mirassol circular a bola de fora para dentro, com Daniel Borges acionando o atacante Maranhão, que encontrou o meio-campista Neto Moura livre às costas de Caio Rangel, finalizando de fora da área e marcando um golaço.  

Na segunda etapa, a Ferroviária melhora seu desempenho com a substituição de Caio Rangel por Tony. Além disso, Léo Artur foi deslocado para jogar pelo lado esquerdo, enquanto Fellipe Mateus atuou centralizado. Desse modo, o time manteve mais a posse de bola, mas ainda assim com muita dificuldade para gerar um volume ofensivo maior.  

Como nos ensinou Johan Cruyff, não basta ter a bola, é necessário saber o que fazer com ela. O jogo da Ferroviária foi sem sentido, e o menor responsável por isso é Sérgio Soares, contratado há uma semana.  

O gol de empate afeano sai na marra. Felipe Ferreira, atuando aberto pelo lado direito, circula por dentro, o que induz a marcação da equipe do Mirassol. Com isso, Lucas Mendes recebe a bola livre pelo lado, cruzando para que Hygor, que substituiu Léo Artur, finalizasse de cabeça.  

O choro na comemoração foi a redenção de Hygor, cria da Ferroviária, impedido pelas lesões de jogar com regularidade desde 2018.  

Pelo desempenho apresentado, o empate ficou de bom tamanho. Contudo, para uma equipe que enfrentará São Paulo e Santos nos próximos jogos em casa, são três pontos que poderão fazer falta no futuro.  

O desafio é grande e Sérgio Soares terá muito trabalho pela frente.

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