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O Liverpool aprendeu a andar com fé, como canta Gilberto Gil

Em Terra Brasilis, Klopp já teria sido rotulado como professor pardal e romântico, e dificilmente ainda estaria empregado

| ACidadeON/Araraquara

Roberto Firmino é peça fundamental do Liverpool de Jurgen Klopp. (Foto: Getty Images)
A espera durou 30 longos anos, mas o suspiro de alívio veio, e o Liverpool pode se sentir de novo campeão inglês. O primeiro título dos Reds na era moderna do Campeonato Inglês e o 19º em toda sua história.

O passo final dessa trajetória não foi dado pelo clube. A conquista aconteceu depois da derrota do Manchester City para o Chelsea, por 2 a 1, impedindo matematicamente que os comandados de Pep Guardiola brigassem pelo tricampeonato. Contudo, nesse caso, a matemática foi mera formalidade -- o campeonato já estava decidido há muito tempo. A graça ficou para a reparação histórica feita pelo time de Londres.

Em 2013/2014, foi o Chelsea, com um gol de Demba Ba e um escorregão de Steven Gerrard, quem impediu o Liverpool de ser campeão nacional, entregando o troféu, de e na bandeja, para o City, prolongando o tabu dos Reds.

Nessa temporada, não deram margem para o azar.

O Liverpool lidera a Premier League desde a segunda rodada da competição, terminou o primeiro turno com 18 vitórias e apenas um empate e quando o futebol parou em decorrência da pandemia do novo coronavírus, a equipe já estava 25 pontos a frente dos citizens. Nem mesmo o período de instabilidade vivido pelo clube, quando foi eliminado pelo Atlético de Madrid na Champions League e perdeu para o Watford por 3 a 0, quebrando a absurda sequência de 44 jogos de invencibilidade e 18 vitórias consecutivas no Campeonato Inglês, fez com que a conquista estivesse ameaçada.

São 31 jogos, 83 pontos conquistados e o título com maior antecedência de rodadas na história da liga faltam sete partidas para acabar o campeonato. A briga agora é por novos recordes: maior número de pontos, de vitórias e vitórias em casa em uma única edição de Premier League. Entretanto, a grande lição desse Liverpool foi ter transformado em jogo o que canta sua torcida: esse time nunca andará sozinho.

Alisson, Trent Alexander-Arnold, Joe Gomez, Matip, Van Dijk, Robertson, Fabinho, Henderson, Wijnaldum, Keita, Milner, Oxl-Chamberlain, Salah, Mané, Firmino, Origi, Minamino, etc. Não falamos de onze jogadores titulares. Mas de uma unidade especial, conduzida e energizada pelo seu treinador, o alemão Jurgen Klopp.

Quando desembarcou em Anfield, em 2015, Klopp disse em sua coletiva de apresentação: "Se ficarmos aqui por quatro anos, acho que podemos conquistar um título."

Em suas três primeiras temporadas, perdeu as finais da Copa da Liga Inglesa, da Liga Europa e da Champions League, e sua melhor colocação no campeonato nacional foi um 4º lugar. Em Terra Brasilis, Klopp já teria sido rotulado como professor pardal e romântico, e dificilmente ainda estaria empregado. Porém, o Liverpool, que já não caminha sozinho, aprendeu com Gilberto Gil, que ontem (27) nos celebrou com 78 anos de vida, que se anda com fé, porque a fé não costuma faiá.

Em seu quarto ano, conquistou a Europa e só não foi campeão inglês porque o City teimou em ser tão incrível quanto o seu rival -- foi vice-campeão com 97 pontos e uma única derrota. Em 2020, foi campeão do mundo contra o Flamengo e, na Inglaterra, já conhecemos o desfecho da história.

No dia 18 de maio de 2018, o time perdeu a final da Champions League para o Real Madrid. O último jogo dos Reds antes do título inglês foi na quarta-feira (24), quando derrotou o Crystal Palace por 4 a 0. No espaço de dois anos, só três jogadores mudaram de um time titular para o outro.

Contra o Palace, jogaram Alisson, Joe Gomez, no clube desde 2015, e Fabinho, enquanto contra o Real, estavam em campo Karius, que saiu do time na temporada seguinte, Lovren e Milner, que continuam no elenco. A fé de Klopp em seus jogadores também não costuma faiá.

O segredo é a continuidade.

Nossa esperança é que Jurgen Klopp e Gilberto Gil consigam inspirar o futebol brasileiro.

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