Aguarde...

Olhar para o futebol com a complexidade que ele merece

O planejamento do Bahia, presidido por Bellintani, é um pingo dágua no deserto do futebol brasileiro

| ACidadeON/Araraquara

 

Guilherme Bellintani, presidente do Bahia, acompanha o treinamento da equipe. (Foto: EC Bahia / Divulgação)

Na segunda-feira (31), o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, se posicionou em suas redes sociais sobre a pressão que o clube tem sofrido, por parte da torcida, para demitir Roger Machado, atual treinador da equipe.  

Desde o ano passado, o time oscila em desempenho e resultado. Depois de um primeiro turno promissor no Campeonato Brasileiro, que colocou o clube na disputa por uma vaga na Libertadores, e uma ótima campanha na Copa do Brasil, em que a eliminação veio só nas quartas de final contra o Grêmio, na segunda metade de temporada, o Bahia conquistou apenas 18 pontos no returno do campeonato nacional, com quatro vitórias em 19 partidas disputadas, chegando a viver uma sequência negativa de nove jogos sem vencer.  

Em 2020, apesar do título baiano (em que Dado Cavalcanti, atual treinador da Ferroviária, participou diretamente, dirigindo a equipe em sete dos 13 jogos) e da classificação na Sul-Americana, a cobrança sobre o Tricolor de Aço aumentou em virtude da eliminação precoce na Copa do Brasil, da derrota na final da Copa do Nordeste e da performance que se mantinha irregular dentro de campo.  

No Brasileirão, mesmo vencendo seus dois primeiros jogos, a atual sequência do time de três jogos sem vitória elevou ainda mais a tensão dos torcedores. Por isso, Bellintani sentiu a necessidade de vir a público e explicar quais são as razões para que Roger Machado continue como treinador do Bahia.  

Segundo Bellintani, a decisão mais fácil a ser tomada pela direção tricolor seria demitir Roger Machado, o que daria um alívio de curto prazo ao clube. Contudo, considerando o contexto, os problemas e os pontos positivos do time, o Bahia compreende que manter Roger segue sendo a melhor opção.  

Nesse sentido, Bellintani apresenta o planejamento da equipe baiana para a temporada, argumentando que o clube possui uma meta de pontuação definida para cada grupo de seis jogos do Campeonato Brasileiro, colocando uma vaga na Libertadores do ano que vem como objetivo final do time. Esse será o parâmetro usado para julgar o trabalho do treinador e dos jogadores, evitando análises isoladas a cada partida.  

Por fim, Bellintani disse também que a liderança do treinador, o respeito do grupo de jogadores, o envolvimento dos atletas no projeto do clube e a competitividade em campo (mesmo que o futebol praticado não seja vistoso), são elementos fundamentais na avaliação do trabalho e se algum desses requisitos parecer ameaçado, haverá troca no comando técnico.  

O planejamento do Bahia, presidido por Bellintani, é um pingo dágua no deserto do futebol brasileiro, onde quatorze troca de treinadores já foram feitas entre os times da primeira divisão do Brasileirão. Tudo isso com apenas seis rodadas de campeonato e em meio a uma pandemia -- o que impacta necessariamente no desempenho das equipes. 

Para mim, o posicionamento de Bellintani é um convite para que a gente olhe o futebol com a complexidade que ele merece. Analisando o desempenho observando a execução das ideias de jogo dos times, estabelecendo parâmetros racionais para a avaliação dos resultados das equipes e respeitando aquilo que nos é desconhecido, como o perfil de liderança de um treinador e a qualidade do seu treinamento, aspectos fundamentais para o que acontece dentro de campo, principalmente para um clube que tem projeto e que sabe onde quer chegar, como é o Bahia.  

Talvez assim nós consigamos fertilizar o solo do nosso futebol, machucado com a seca e que nunca deu espaço para que suas sementes germinassem.  

Hoje, a colheita não passa de miragem.

Mais do ACidade ON