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Em 2020, todos os técnicos da Ferroviária foram interinos

Projetar um cenário em que o time terá estabilidade para poder ser desenvolvido, hoje, não passa de ilusão

| ACidadeON/Araraquara

Ferroviária foi comandada por Leonardo Mendes contra o Toledo-PR, no último domingo (4). (Foto: Divulgação)
A vitória contra o Toledo-PR por 6 a 2, no último domingo (4), serviu para que a Ferroviária ganhasse uma semana de paz até que a próxima sequência de dois jogos sem vitória chegue, realimentando o ciclo vicioso que, em 2020, tem impedido a Locomotiva de sair do lugar. Com Leonardo Mendes como técnico interino, o clube voltou à liderança do grupo A7, se manteve invicto na quarta divisão do Campeonato Brasileiro, contudo, projetar um cenário em que o time terá estabilidade para poder ser desenvolvido, hoje, não passa de ilusão. 


Em campo, Leonardo Mendes mudou o que precisava ser mudado. Posicionou os extremos para jogarem abertos, em profundidade e amplitude, não mais flutuando por dentro, o que facilita as ações que culminam em espaçamento da linha defensiva do rival; escalou Fellipe Mateus entre os titulares e em uma nova posição, como meia-atacante, posicionado no setor entrelinhas e próximo à Bruno Mezenga; deu mais liberdade de movimentação para Tony, o que permitiu ao meio-campista da Ferroviária ser mais participativo na organização ofensiva do time. Mesmo que seja importante ponderar o baixo nível técnico da equipe paranaense, as alterações feitas por Leonardo Mendes merecem destaque tendo em vista que foram implementadas com poucas sessões de treinamento.

Do ponto de vista coletivo, o principal problema da Ferroviária tem sido sua defesa, que não vem mal por uma única razão. Tanto a descoordenação dos movimentos de pressão no campo de ataque, como também o descumprimento de suas funções por parte dos defensores, além do mau momento técnico dos zagueiros, tem feito com que o time tenha sofrido gols evitáveis. As correções desses problemas passam, principalmente, pela parte tática, e só poderão ser consertadas se o treinador da equipe tiver o tempo necessário para realizar o seu trabalho.

Entretanto, o verdadeiro o calcanhar de Aquiles da Ferroviária nessa temporada tem sido a gestão da MS Sports. Até o momento, a única decisão elogiável dos novos investidores do clube foi a manutenção dos empregos e dos salários integrais do quadro funcionários da Ferroviária, durante a paralisação do futebol em decorrência da pandemia do novo coronavírus. No mais, o que tem sido promovido pela empresa é a destruição em larga escala do projeto que recolocou a Ferrinha na primeira divisão estadual, em três finais em sequência de Copa Paulista (com um título), de volta às divisões de acesso do Campeonato Brasileiro e, principalmente, deu ao clube uma identidade de jogo.

Por isso, mesmo que eu entenda que Leonardo Mendes já seria o sucessor natural de Vinicius Munhoz, antes da turbulência desnecessária vivida pela Locomotiva a partir de janeiro, justamente por estar identificado com Araraquara-SP, com a Ferroviária e, sobretudo, com a filosofia de jogo praticada pelo clube, penso também que se for para manter a lógica imediatista que fez com que todo técnico que passasse pela Ferroviária na atual temporada, na prática, fosse interino, nem mesmo a boa ideia que é a efetivação de Leonardo Mendes será capaz de corrigir os problemas.

Quando três treinadores são trocados em menos de nove meses e a única variável que se mantém na equação é quem está tomando as decisões no clube, nós já vemos onde está a origem dos erros. O primeiro passo que a Ferroviária precisa dar é se reencontrar com o profissionalismo.

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