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Na realidade, o Flamengo nunca esteve em outro patamar

O que é realmente importante nessa história toda é que foi o Fortaleza quem pagou o preço da falta de planejamento estratégico do Flamengo

| ACidadeON/Araraquara

Rogério Ceni em coletiva de imprensa no Ninho do Urubu, quando foi apresentado como novo técnico do Flamengo. (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo)
Todo treinador demitido no futebol brasileiro é uma notícia nova que já nasce velha. A bola da vez é Domenec Torrent, que foi desligado do comando técnico do Flamengo. Exposto ao escárnio público depois de sofrer duas novas goleadas, a direção flamenguista correu para entregar, na bandeja, a cabeça do agora ex-técnico do clube, o que serviu para acalmar os ânimos da torcida e, principalmente, mascarar um problema que ainda permanece na gávea: o departamento de futebol do Flamengo acerta sem querer.  

A prova disso está na surpresa com o desequilíbrio defensivo apresentado pelo Flamengo do treinador catalão, que tornou o clube a segunda defesa mais vazada do Campeonato Brasileiro. Quem analisou sua passagem pela MLS, único lugar que Dome havia trabalhado após deixar a função de auxiliar técnico na comissão de Pep Guardiola, sabia que levar muitos gols não é nenhuma novidade para ele.

No New York City, foram 60 partidas disputadas e 81 gols sofridos. Números que anunciavam o que aconteceria com o seu Flamengo, que tomou 38 gols em 25 jogos. Além disso, se as informações que chegam dos bastidores dão conta da verdade, o fato dos atletas não entederem as sessões de treinamento e não confiarem nas orientações de Domenec Torrent para os jogos, justifica a demissão. Contudo, também coloca em relevo que a gestão rubro-negra não soube apanhar informações essenciais para escolher um treinador em um dos momentos mais vitoriosos de sua história.

Por isso, de nada adianta gritar "stop the count!" enquanto o Atlético-MG balançava o barbante mais uma vez, sendo que a verdadeira fake news é o próprio projeto desportivo do clube. O Flamengo nunca esteve em outro patamar.

Agora, com Rogério Ceni, que deixou o Fortaleza para viver o maior desafio de sua carreira, o Flamengo não tentará corrigir a sua rota, mas navegará em busca de uma, porque desde que Jorge Jesus voltou ao Benfica, o clube se tornou uma nau desnorteada no meio do Oceano Atlântico.

Em campo, o contexto competitivo do Fortaleza fez com que Ceni se tornasse um treinador extremamente flexível, que sabe organizar seu time para ser protagonista com a posse de bola, como também para jogar recuado e sair no contra-ataque. Tanto que o Leão Pici foi um na Copa do Nordeste e estava sendo outro no Campeonato Brasileiro. No mais, Ceni também varia seus sistemas de jogo e, principalmente, não costuma definir um time titular, mudando os onze iniciais partida a partida.

Entretanto, o que é realmente importante nessa história toda é que foi o Fortaleza quem pagou o preço da falta de planejamento estratégico do Flamengo. Enquanto o Campeonato Brasileiro continuar permitindo que um treinador possa comandar, em uma mesma temporada, duas equipes que estão na mesma competição, a CBF continuará premiando os clubes ricos e desorganizados, que impedem que as equipes menores se estruturem pensando uma temporada com início, meio e fim.

Isso é muito mais relevante do que discutir se Rogério Ceni terá sucesso ou não treinando o Flamengo.

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