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Assim foi o ano de 2020 dos grandes clubes de São Paulo

O São Paulo acertou ao não ouvir os apelos da sua torcida e confiar à Fernando Diniz o recurso mais escasso que há no futebol brasileiro: o tempo

| ACidadeON/Araraquara

O São Paulo é líder do Campeonato Brasileiro e hoje (30) pode se tornar finalista da Copa do Brasil. (Foto: Divulgação/SPFC)
O São Paulo acertou ao não ouvir os apelos da sua torcida e confiar à Fernando Diniz o recurso mais escasso que há no futebol brasileiro: o tempo. Além disso, o time rompeu com um imperativo que funciona como dogma nos esportes de alto rendimento, em que o fracasso é tratado como um pecado sem direito a julgamento no purgatório. 


Foram as derrotas que fizeram o São Paulo de Diniz chegar aonde está nessa temporada. As eliminações no Paulistão, para o Mirassol, na Copa Libertadores, ainda na fase de grupos, e na Copa Sul-Americana, para o Lanús, foram os percalços necessários que fizeram o Tricolor do Morumbi amadurecer enquanto equipe. Se não fosse assim, Diego Costa, Luan, Gabriel Sara e Brenner jamais teriam ganhado espaço entre os titulares. Do mesmo, a chegada de Luciano, a única contratação de 2020, que veio em uma troca que mandou Everton para o Grêmio, foi fundamental. 

Portanto, o São Paulo que, hoje (30), pode se tornar finalista da Copa do Brasil, e está liderando o Campeonato Brasileiro na 27ª rodada, é reflexo de um clube que não se apressou em virar a ampulheta e, por isso, aprendeu com os próprios erros.

No Palmeiras, desde o início da temporada, todos nós já sabíamos que o trabalho de Vanderlei Luxemburgo teria começo, poderia ter meio, mas não teria fim. Ou o Palmeiras entenderia que precisaria de um treinador melhor para brigar pelos principais títulos da temporada, ou uma sequência de resultados ruins derrubaria Luxemburgo que, atualmente, não recebe mais o mesmo respaldo do passado. A tempestade perfeita veio em outubro, depois de três derrotas seguidas no Brasileirão e um futebol que entediou seus torcedores. Nem mesmo o título paulista, depois de 12 anos e contra o principal rival, foi capaz de dar sobrevida ao técnico no Palmeiras.

Contudo, seu trabalho deixou um legado inquestionável que vem sendo fundamental para Abel Ferreira, treinador português que deixou o PAOK da Grécia para assumir o Palmeiras. Gabriel Menino, Danilo, Patrick de Paula, Wesley e Gabriel Verón receberam oportunidades no time profissional do Palmeiras com Vanderlei Luxemburgo, que não temeu em colocar nenhum deles em campo durante o ano.

Por isso, se o Palmeiras de Abel Ferreira, que joga melhor do que o time treinado por Luxemburgo, chegar até as finais da Copa do Brasil e da Libertadores, os feitos carregarão consigo uma assinatura do "Profexô".

No Corinthians, o que era para ser uma mudança na filosofia de futebol do clube, acabou por ser transformar em um descompasso gigantesco entre expectativa e realidade, o que quase custou para o alvinegro a luta contra o rebaixamento durante o Brasileirão desse ano.

Tiago Nunes foi contratado com a vã esperança de que o sucesso desportivo é uma fórmula pronta que pode ser replicada em qualquer lugar, independentemente das pessoas e dos contextos. Assim, a direção corintiana se iludiu ao imaginar que veria, dentro de campo, o Athletico Paranense com o uniforme do Corinthians, como se fosse possível emular o mesmo desempenho sem Renan Lodi, Bruno Guimarães, Wellington, Rony, Marco Rúben, entre outros jogadores. Da mesma forma que Tiago Nunes, já fazia parte das rotinas da equipe paranaense desde 2017 e, por isso, estava integrado à estrutura e cultura da instituição.

Com eliminação na pré-Libertadores e a briga contra o descenso no Campeonato Brasileiro, a frustração falou mais alto do que o projeto. Chegar até a final do Paulistão, depois estar ameaçado de rebaixamento, foi a exceção que confirma a regra. O Corinthians até tentou confiar seu time à Dyego Coelho, mas foi Vágner Mancini, vindo do Atlético-GO, quem deu ao Corinthians lampejos de bom futebol e que dá motivos para o torcedor terminar o ano otimista. Além disso, o nascimento da Neo Química Arena, resolvendo o imbróglio dos naming rights, tirou um elefante da sala e das costas do futuro contábil do Timão.

Por fim, quando um clube está em crise, para mascarar a desorganização vivida pela instituição, se instaura um desespero maior que o habitual para que os resultados desportivos aconteçam, o que costuma precipitar escolhas ruins que fazem com que o time viva uma piora significativa dentro de campo. Cruzeiro, Botafogo e Vasco da Gama não nos deixam mentir. Entretanto, a chegada de Cuca, depois da demissão de Jesualdo Ferreira, promoveu um efeito contrário no Santos.

Entre o impeachment do seu presidente e a contratação de um jogador condenado por estupro na Itália (que, felizmente, pela pressão da opinião pública, teve o seu contrato suspenso), o alvinegro praiano conseguiu jogar bem e passar por uma temporada estável dentro das quatro linhas. Liderado por Marinho e pelos meninos da Vila -- onde os raios, como Rodrygo, sempre caem mais de uma vez no mesmo lugar --, o Santos ainda está vivo na briga pelo título da Copa do Libertadores, onde enfrentará o Boca Juniors na semifinal.

Em meio à pandemia, foi assim foi o ano de 2020 dos grandes clubes de São Paulo.

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