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Goleada por 5 a 0, com trinta minutos irretocáveis do Brasil

Na primeira metade da etapa final, o cenário se repetiu, tanto que não seria um absurdo dizer que as chinesas estiveram melhores em campo nesse momento

| ACidadeON/Araraquara

A araraquarense Bia Zaneratto comemora o quinto gol da seleção brasileira, marcado por ela. (Foto: Sam Robles / CBF)
A goleada por 5 a 0, contra a China, ofusca as dificuldades vividas pela seleção brasileira na estreia dos Jogos Olímpicos.

Três bolas na trave e uma atuação memorável da goleira Bárbara impediram que as chinesas balançassem as redes quando o placar elástico ainda não era uma realidade.

Os primeiros trinta minutos do Brasil foram irretocáveis. A marcação chinesa, que pressionava o Brasil em seu campo de defesa, estava desajustada, oferecendo para Duda, Debinha e Bia Zaneratto o espaço necessário para progredir em velocidade no ataque. Inclusive, Duda tinha como função flutuar do lado direito para o centro do campo. Com isso, a seleção brasileira produziu o volume ofensivo necessário para resolver o jogo em uma única etapa.

Contudo, antes do intervalo, o técnico Jiu XuQuan sacou Yan Wang da partida e chamou Wurigumula. Assim, a pressão chinesa foi mais bem executada e começou a incomodar o Brasil, impedindo que a bola circulasse por dentro.

Na primeira metade da etapa final, o cenário se repetiu, tanto que não seria um absurdo dizer que as chinesas estiveram melhores em campo nesse momento do confronto. Nesse sentido, correndo o risco de cometer uma heresia com a história, diria que Formiga foi o elo perdido do meio-campo brasileiro. Com mais erros do que acertos na fase de construção ofensiva, foi Júlia Bianchi quem entrou no seu lugar e ofereceu ao Brasil a solução para os problemas coletivos da equipe.

A melhor jogadora do último Campeonato Brasileiro, com mais controle de bola e precisão nos passes, deu dinamismo ao time e desestruturou a pressão feita pela China. Com Andressa Alves no lugar de Duda, o Brasil voltou a ser superior no jogo.

A Rainha, que já havia feito o primeiro gol, também marcou o terceiro, premeditando uma finalização que só ela seria capaz de imaginar. Debinha foi quem fez o segundo e também foi fundamental para o último, anotado pela araraquarense Bia Zaneratto, a melhor jogadora brasileira no primeiro tempo, ao participar diretamente dos dois primeiros gols. Na partida como um todo, Debinha foi a melhor em campo. O quarto gol, de pênalti, foi marcado por Andressa Alves, que só está em Tóquio porque quatro vagas foram abertas na convocação inicial de Pia Sundhage, agora, com 22 jogadoras. Marta, com rara sensibilidade, abriu mão de tentar seu primeiro hat-trick em Olimpíadas e permitiu que Andressa Alves cobrasse o pênalti, sofrido por ela mesma.

Por fim, a intensidade brasileira sem a bola recusava espaços para a troca de passes chinesa, que precisou buscar as bolas longas e contra-ataques. Uma característica estruturante do modelo de jogo da treinadora sueca e que será fundamental contra seleções com mais refino técnico, como é a Holanda, atual vice-campeã do mundo e próxima adversária do Brasil na competição.



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