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Mesmo com a eliminação, há um prognóstico positivo

A organização ofensiva melhorou, em primeiro lugar, porque Marinho retornou ao time e atuou na função que lhe é habitual

| ACidadeON/Araraquara -

Carlos Sánchez foi o capitão do Santos contra o Athletico Paranaense. (Foto: Ivan Storti/Santos FC)
Ontem (14), o Santos deu adeus à Copa do Brasil, após ser derrotado pelo Athletico Paranaense, mais uma vez por 1 a 0. Agora, resta ao clube terminar a temporada com dignidade, longe da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. 

Contudo, mesmo que a eliminação no torneio nacional tire qualquer possibilidade de título no ano, o jogo da volta contra a equipe paranaense apresentou um prognóstico positivo, projetando o futuro do alvinegro praiano com Fábio Carille. Sobretudo, ao considerar o contexto, com 14 desfalques e menos de uma semana de treinamento com o novo comandante.

Na estreia do treinador, enfrentando o Bahia, pelo Brasileirão, o Santos foi inoperante no ataque. O time, com a posse de bola, não tinha uma intenção comum, fazendo com que, na maioria das vezes, as jogadas terminassem com um cruzamento para área que não havia razão de ser. Inclusive, essa dinâmica, no momento ofensivo, deixou o Santos vulnerável aos contra-ataques. Como as investidas não eram construídas com clareza, o Tricolor de Aço, quando recuperava a bola, agredia um Santos que se encontrava desestruturado.

Contra o Athletico Parananese, a organização ofensiva melhorou. Em primeiro lugar, porque Marinho retornou ao time e atuou na função que lhe é habitual. O melhor jogador da última Copa Libertadores mostra sua melhor versão quando atua aberto pela direita, podendo receber a bola em situações de um-contra-um e que, ou pela velocidade, ou pelo drible, consegue derrotar seu adversário em um duelo individual e progredir com o campo aberto. Com Fernando Diniz e seu jogo de aproximação, o atacante se via incumbido em buscar o espaço curto e gerar cenários favoráveis para infiltrações.

Além disso, o Santos criou mais no ataque, em movimentos de fora para dentro, com seus atacantes posicionados pelos lados e as movimentações de Gabriel Pirani no setor entrelinhas. O que faltou foram ajustes finos para que os jogadores soubessem o que fazer no momento de concluir as jogadas.

Do ponto de vista defensivo, o caminho é mais longo e tortuoso. Nos dois jogos, a linha de defesa da equipe não soube o tempo correto em que deveria sair para tentar o desarme ou ficar para guardar posição, dúvidas que foram geradas, provavelmente, como consequência dos espaços permitidos para os seus adversários entre os zagueiros e o meio-campo.

De qualquer modo, vale lembrar que Wagner Leonardo e Vinícius Balieiro (que nem zagueiro é), não são os titulares do setor. Lucas Veríssimo e Luan Peres, definitivamente, fazem muita falta.

Por fim, sobre a emboscada sofrida por Diego Tardelli, é importante pontuar que esses episódios de violência não são casos isolados, tampouco dizem respeito, exclusivamente, ao caráter dos sujeitos envolvidos.

Na realidade, nós precisamos deitar a cultura do futebol brasileiro no divã. É nítido que há uma intolerância à frustração por parte dos torcedores, o que é absolutamente compreensível e, inclusive, compõe os afetos que permitem a identificação de um indivíduo com determinada agremiação. Contudo, há um lugar que, teoricamente, opera como espaço legítimo para que a irracionalidade humana ganhe palavra e, com as mediações minimamente civilizadas, possa ecoar como protesto -- no caso, o estádio. Em um mundo governado pelas redes sociais, as páginas oficiais dos clubes são outra possibilidade.

Quando a revolta da torcida extrapola os limites consentidos, nós temos um problema que, no fundo, é um sintoma. Indica o processo de desumanização dos profissionais do futebol, como também aponta para a catarse da masculinidade que, não por acaso, transforma as arquibancadas em ambiente hostil para quem não se sente representado pelos códigos heteronormativos.

Mas, convenhamos, você não está preparado para essa conversa, não é?

Vida de Coach

Sobre o colunista

João Túbero Gomes da Silva é cientista social em formação, cronista esportivo e torcedor da Ferroviária. Busca pensar o futebol em sua complexidade, nas mais variadas vertentes que o jogo sintetiza em si.

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