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Contra o Atlético Goianiense, um lampejo de bom futebol

Há margem para que o São Paulo retome sua melhor versão e possa formar um coletivo capaz de competir em alto nível

| ACidadeON/Araraquara -

No Brasileirão, o São Paulo ainda briga na parte de baixo da tabela. (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)
Na vitória contra o Atlético Goianiense, por 2 a 1, o São Paulo fez sua melhor exibição desde a conquista do título do Campeonato Paulista. 

Contra o Racing-ARG, pelas oitavas de final da Copa Libertadores, o time jogou bem, mas não controlou a partida como fez no último final de semana.

No duelo contra a equipe goiana, Hernán Crespo retomou o 4-4-2, usado, pela primeira vez na temporada, no empate por 0 a 0 contra o Palmeiras, em partida válida pela 14ª rodada do Brasileirão. Um jogo em que o São Paulo atuou bem e só não venceu graças a uma interpretação questionável da lei do impedimento, incorrendo na anulação do gol contra de Gustavo Gómez.

No clássico, Liziero e Nestor foram volantes, Igor Gomes e Gabriel Sara jogaram como meias-atacantes e Rigoni e Marquinhos formaram uma dupla no ataque. O time foi superior através dos encaixes individuais que, desde sempre, estruturam o comportamento defensivo da equipe. Assim, o tricolor paulista conseguiu recuperar a bola quando seu adversário ainda estava desorganizado, podendo explorar, com a velocidade de seus atacantes, os espaços desprotegidos. Já contra o Atlético Goianiense, a dinâmica coletiva foi outra.

Em primeiro lugar, Luan e Luciano estiveram nos lugares de Igor Gomes e Marquinhos (que se lesionou contra o Palmeiras e não voltou desde então). O meio-campo foi composto por Luan, como primeiro volante, Liziero, como médio mais adiantado, e dois meias-atacantes, que foram Rodrigo Nestor e Gabriel Sara. Luciano e Rigoni completaram o sistema ofensivo. Com a bola, em diversas oportunidades, Luan se posicionou na mesma linha que os zagueiros, deixando Liziero como primeiro jogador de meio-campo. Os laterais ocuparam o campo de ataque, dando amplitude ao time, enquanto, por dentro, os dois meio-campistas e os dois atacantes flutuaram no setor.

No Campeonato Paulista, em que pese a inferioridade técnica dos rivais, o que funcionava, além da marcação-pressão, era justamente a mobilidade. Por isso, no momento em que o São Paulo orientou seu jogo para o contra-ataque, apostando, principalmente, na individualidade de Rigoni -- um recurso que foi estratégico e eficaz em alguns contextos específicos --, acabou por transformar a equipe em um conjunto previsível e incapaz de condicionar as partidas ao seu favor. Se o adversário não oferecesse os espaços necessários, o São Paulo era incapaz de cria-los.

Nesse sentido, o lampejo de bom futebol apresentado no domingo (19) é um indício de que há margem para que o time retome (ou reinvente) sua melhor versão e possa, mais uma vez, formar um coletivo capaz de competir em alto nível. Contudo, agora, essa recuperação aponta apenas para uma fuga da parte de baixo da tabela do Campeonato Brasileiro. Se houver frutos, eles serão colhidos apenas em 2022.

Para isso, o clube, enquanto instituição, precisa deixar de ser reativo e atuar segundo algum planejamento. Isso passa pela manutenção de Crespo no comando técnico do São Paulo.

Vida de Coach

Sobre o colunista

João Túbero Gomes da Silva é cientista social em formação, cronista esportivo e torcedor da Ferroviária. Busca pensar o futebol em sua complexidade, nas mais variadas vertentes que o jogo sintetiza em si.

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