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Contextos diferentes, sempre exigem novas soluções

Desde que Roberta Batista assumiu o comando técnico do clube, a Ferroviária mostrou três versões diferentes

| ACidadeON/Araraquara -

Luana marcou o gol da vitória afeana contra o Deportivo Cuenca. (Foto: Jonatan Dutra/Ferroviária SA) 

 

Contra o Sol de América, as mudanças feitas por Roberta Batista, durante o intervalo, foram fundamentais para que a Ferroviária transformasse a sua superioridade técnica em gols. As entradas de Luana e Sochor, nos lugares de Daiane e Laryh, respectivamente, foram os primeiros passos de uma vitória construída na segunda etapa. Com as novas jogadoras, a organização do time também foi outra.

Se Luana entrou para desempenhar a mesma função de Daiane, a substituição de Laryh por Sochor redesenhou o papel de todas as jogadoras da Ferroviária na fase ofensiva. Rafa Mineira atuou como segunda volante, mais próxima de Luana, enquanto Sochor foi meia-atacante. Suzane foi duas-em-uma: meia-atacante e ponta-esquerda. Raquel esteve mais centralizada, acompanhada por Ludmila que, por vezes, posicionava-se pela direita -- mas, naquele setor, quem avançava livre era Carol Tavares.

Nesse cenário, movendo os encaixes individuais da equipe paraguaia, a Ferroviária, com lançamentos, criou inúmeras situações de gols. Assim, as Guerreiras Grenás marcaram três vezes, aproveitando as infiltrações de Raquel e seu instinto para farejar os espaços livres.

Desde que Roberta Batista assumiu o comando técnico do clube, a Ferroviária mostrou três versões diferentes. A primeira delas, em um 4-1-4-1 bem definido, possuía duas meio-campistas mais adiantadas (Rafa Mineira e Suzane), com duas jogadoras oferecendo amplitude pelos lados (Aline Milene e Raquel) e Laryh no comando de ataque. Para iniciar as ações ofensivas, Luana (e depois Daiane) entrava na linha das zagueiras, executando uma saída de 3. A dinâmica coletiva consistia em ficar com a posse de bola e produzir situações favoráveis, principalmente, pelas laterais do campo. Além disso, sem a bola, a compactação entre os setores permitiu que o time se tornasse mais equilibrado defensivamente. Com essa proposta, o clube venceu Palmeiras e RB Bragantino.

Contra o Corinthians, foi feita a primeira adaptação, usando um sistema com três zagueiras -- defendendo-se com uma linha de 5 --, com o objetivo de controlar a amplitude das adversárias, ao mesmo tempo que mantém três defensoras protegendo a área por dentro. Além disso, com cinco jogadoras posicionadas na defesa, a Ferroviária pôde pressionar a saída de bola do Corinthians com mais segurança. No jogo de ida das semifinais do estadual, na Fonte Luminosa, se não fosse o lapso de Ana Alice, que não acompanhou Gabi Zanotti, o resultado do confronto poderia ter sido diferente.

Agora, na Libertadores, o time tem apresentado outro modelo, após derrotar o Sol de América. Contra o Deportivo Cuenca, em um sistema que se aproximou do 4-1-3-2, Luana foi primeira volante, Sochor, Suzane e Rafa Mineira jogaram mais adiantadas, como meias-atacantes, e Raquel e Ludmila atuaram na frente. Contudo, o jogo coletivo não fluiu. Com dificuldades na transição ofensiva, Luana pouco entrou na linha defensiva, o que favoreceu a marcação pressão do time equatoriano. No ataque, as bolas longas não chegaram com qualidade para a dupla de atacantes e a ocupação dos espaços, baseada na mobilidade, não estava bem estruturada. Defensivamente, a linha alta se tornou um problema. O pênalti cobrado no travessão por Riera, no último minuto, garantindo a vitória por 2 a 1, provou que o acaso protege as Guerreiras Grenás -- mesmo que não estão distraídas...

Contra o Santa Fé, Roberta Batista precisará resolver um dilema, já que contextos diferentes, exigem novas soluções. O time pode caminhar em direção ao antigo padrão, visto no Campeonato Paulista, ou tentar evoluir a partir da nova ideia de jogo.

O próximo passo será fundamental na busca pelo tricampeonato.

Vida de Coach

Sobre o colunista

João Túbero Gomes da Silva é cientista social em formação, cronista esportivo e torcedor da Ferroviária. Busca pensar o futebol em sua complexidade, nas mais variadas vertentes que o jogo sintetiza em si.

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