O Palmeiras mostrou a sua melhor versão no Mundial

Os gols aconteceram em situações que o Palmeiras agrediu de forma direta, dispensando longas sequências de trocas de passe

| ACidadeON/Araraquara -

O Palmeiras se classificou para a final do Mundial de Clubes. (Foto: Michael Regan - FIFA/FIFA via Getty Images)
 

O time que conquistou a América do Sul contra o Flamengo, com aquilo que parecia ser uma estratégia específica para a finalíssima continental, converteu-se em parâmetro para as escolhas de Abel Ferreira e a equipe projetada para a temporada de 2022. Ontem (8), na semifinal do Mundial de Clubes, a mudança na escalação foi a entrada de Marcos Rocha no lugar de Mayke.

Do ponto de vista coletivo, alguns ajustes foram feitos em comparação com a decisão da Libertadores. Se no duelo contra o rubro-negro carioca o lado direito do ataque foi potencializado, contra o Al Ahly, como já anunciava os primeiros jogos do Palmeiras no Campeonato Paulista, Veiga foi meia-atacante e Dudu formou uma dupla de ataque com Rony. Contudo, em diversos momentos, Dudu atuou como meia e Veiga foi um atacante que infiltrava nos espaços criados para finalizar as jogadas.

No duelo contra o time egípcio, o Palmeiras controlou todas as fases do jogo. Com a posse de bola, Piquerez foi terceiro zagueiro pela esquerda, mas também avançava pela lateral, possibilitando que Gustavo Scarpa, teoricamente ala, se movimentasse por dentro. Danilo foi o apoio fundamental no meio-campo, enquanto os zagueiros, mais uma vez, foram responsáveis por iniciar as jogadas de ataque.

No momento defensivo, a própria maneira como o Palmeiras atacou permitiu que o time estivesse organizado quando perdesse a posse de bola. A estrutura com três jogadores para fazer a saída de bola, com dois volantes adiante, propiciou que o alviverde nunca estivesse em igualdade ou inferioridade numérica contra os perigosos contra-ataques do Al Ahly, conduzidos por Afsha e Tamer. Sobretudo com Danilo, que sempre estava à frente para proteger a linha de defesa, enquanto Zé Rafael avançava mais ao ataque.

Os gols, entretanto, aconteceram em situações que o Palmeiras agrediu de forma direta, dispensando longas sequências de trocas de passe. No tento anotado por Raphael Veiga, a movimentação e o passe de Dudu desestruturam a linha defensiva do Al Ahly, ao mesmo tempo que Rony fixava um marcador adversário na ponta esquerda, o que possibilitou que o meia-atacante recebesse a bola a posição legal. A lógica foi a mesma no gol de Dudu, um contra-ataque de manual, em que Veiga atraiu a marcação de Ashraf e assistiu seu companheiro com um lindo passe de calcanhar.

Se Raphael Veiga e Dudu foram os donos do jogo, as atuações de Danilo, Piquerez (que treinou apenas uma vez após a infeção de covid-19) e Luan são honrosas de menção. Principalmente Luan, zagueiro equivocadamente estigmatizado pela torcida alviverde por erros pontuais, mas que fez uma excelente partida na semifinal do Mundial de Clubes.

Por outro lado, em relação ao clube egípcio, a participação do malinense Aliou Dieng na competição merece ser elogiada.

Desse modo, o Palmeiras mostrou a sua melhor versão nos Emirados Árabes Unidos, ao derrotar o Al Ahly por 2 a 0.

A decisão do torneio será um capítulo a parte, seja enfrentando o Chelsea ou o Al Hilal -- não menosprezemos o time saudita treinado por Leonardo Jardim. O importante é que, por sua organização coletiva e seus talentos individuais, o Palmeiras é capaz de competir em bom nível contra ambos os adversários.