A carta de intenções de Roberta Batista para a temporada

Assim, as Guerreiras Grenás começam a se preparar para desafiar a hegemonia corintiana no futebol feminino brasileiro

| ACidadeON/Araraquara -

Roberta Batista foi efetivada como treinadora da Ferroviária em outubro de 2021. (Foto: Divulgação/Jonatan Dutra/AFE)
 

Na primeira aparição das Guerreiras Grenás no Brasileirão, em que o time derrotou a recém-promovida ESMAC, do Pará, por 2 a 0, a carta de intenções de Roberta Batista para a temporada foi publicada. 

A equipe atuou no 4-3-3, com variação para o 4-1-4-1 no momento defensivo. Luana foi a primeira volante, com Aline Milene e Ingryd jogando como "médias", posicionadas nas entrelinhas adversária. Mylena Carioca foi ponta pela esquerda, Suzane jogou como ponta pela direita e a meia-atacante paraguaia Fany Gauto foi centroavante da Ferroviária. Na linha de defesa, Géssica e Camila Silva formaram a dupla de zagueiras, com Carol Tavares na lateral-direita e Barrinha na lateral-esquerda. No gol, a titularidade segue com a maior jogadora da história do clube.

No ataque, a dinâmica coletiva mostrava que as jogadoras sabiam o que fazer com a bola. Em alguns momentos, Ingryd ou Aline Milene recuavam para apoiar Luana, atraindo a marcação rival para criar espaços no ataque. Pelos lados do campo, a equipe elaborava suas jogadas com triangulações: pela direita, Suzane-Ingryd-Carol Tavares; pela esquerda, Barrinha-Aline Milene-Mylena Carioca. Quando a triangulação em si não permitia que alguém recebesse a bola livre, havia duas jogadoras -- uma pelo meio, outra pelas laterais -- oferecendo linha de passe para seguir com a jogada. Como ajuste, falta que a troca de passes aconteceça com mais celeridade, para melhor aproveitamento dos espaços que são gerados.

No momento defensivo, vimos um time que marcava em linha alta, pressionando a saída de bola da ESMAC. Nesse cenário, as coberturas defensivas realizadas por Camila Silva, protegendo a intermediária defensiva, merecem destaque.

Além disso, a versatilidade do elenco afeano, com atletas que podem desempenhar um conjunto distinto de posições e funções, dá alternativas para que o sistema de jogo de Roberta Batista seja aprimorado.

Fany Gauto, ao jogar como mulher mais avançada no ataque, oferece ao time qualidade para trocar passes e capacidade para receber bolas em profundidade. Já Laryh, que é uma jogadora de mobilidade, é mais adaptada para fazer o pivô e ficar fixa na área. Guarecuco, que está lesionada, é quem possui as características de uma centroavante de ofício. No meio-campo, Ingryd pode jogar como primeira volante, posição que jogou na segunda etapa contra a ESMAC, ao passo que Rafa Mineira, uma genuína camisa 10 que brigará por uma vaga entre as titulares, proporciona mais qualidade na armação. Nicoly, Amanda, Karina e Duda também entregam novas possibilidades para a treinadora.

Ao que parece, Roberta Batista prefere uma meio-campista canhota jogando como ponta pela direita, um papel que, além de Suzane, Aline Milene e Fany Gauto são capazes de cumprir. Pelo lado esquerdo, se a preferência for por pontas de origem, assim como Mylena Carioca, Eudimilla, Victória Liss, Raissa Silva e a joia afeana Aline Gomes são opções.

Assim, as Guerreiras Grenás começam a se preparar para desafiar a hegemonia corintiana no futebol feminino. Nessa temporada, isso nunca foi tão possível.

A resposta, cabe à história.