O Brasil estreia em 2022 expressando sua identidade

Talvez, contra o Chile, tenha aparecido a elaboração final desse processo, com Neymar jogando como falso 9

| ACidadeON/Araraquara -

Em seu último jogo no Brasil antes da Copa do Mundo, a seleção derrotou o Chile por 4 a 0. (Foto: André Durão)
 

O atual ciclo da seleção brasileira foi marcado por oscilações que, apesar da efetividade nos resultados, pareciam impedir que o time formasse uma fisionomia.

Após a conquista da Copa América de 2019, Tite passou a conviver com um dilema, ao tentar implementar mobilidade no ataque posicional da seleção brasileira, para fortalecer o momento ofensivo da equipe. Assim, atletas que estiveram no Flamengo de Jorge Jesus, acostumados com esse tipo de jogo, como Gérson, Éverton Ribeiro e Gabriel Barbosa, ganharam espaço no time. Entretanto, a ideia não foi traduzida em desempenho e as ascensões de Vinícius Júnior, Antony e Raphinha fizeram o técnico da seleção resgatar a organização tática em que dois atacantes oferecem amplitude em campo. Com isso, enquanto dois pontas espaçavam a defesa adversária e buscavam situações de um-contra-um, o desafio de Tite tornou-se desenvolver trocas de posição por dentro, na linha de ataque do Brasil.

Talvez, contra o Chile, tenha aparecido a elaboração final desse processo, com Neymar jogando como falso 9 e Lucas Paquetá, com uma atuação um tanto discreta, compensando as movimentações do nosso camisa 10. Contudo, um novo desdobramento desse sistema ainda é possível, com os laterais próximos ao primeiro e único volante, com uma vaga para que jogue mais um meia-atacante, gerando maior mobilidade ao Brasil pelo centro do ataque.

Nesse sentido, a metamorfose da seleção sugere uma reconciliação de Tite entre os princípios de jogo em sua primeira fase na seleção e o projeto original pensado para a Copa do Mundo que se avizinha.

No mais, me parece que restam poucas dúvidas em relação ao elenco que disputará o mundial. Caso a FIFA confirme a ampliação para 26 jogadores convocados, a concorrência se atenuará.

Na defesa, Gabriel Magalhães, Felipe, Léo Ortiz e Lucas Veríssimo (no momento, lesionado) duelam por uma vaga. Na lateral-direita, o favorito Daniel Alves rivaliza com Emerson Royal, enquanto na canhota, Guilherme Arana, Alex Telles e Renan Lodi disputam um lugar no grupo. No meio-campo, a competição para Arthur, Éverton Ribeiro, Gérson e até mesmo Douglas Luiz e Claudinho é mais acirrada, já que são improváveis as chances de Fabinho, Bruno Guimarães e Philippe Coutinho não estarem no Catar. A maior concorrência é no ataque, com Martinelli, Richarlison, Matheus Cunha, Gabriel Jesus, Roberto Firmino, Gabriel Barbosa, Rodrygo e ainda Éverton Cebolinha e Arthur Cabral que, a depender do bom senso da FIFA, rivalizam por até quatro vagas no plantel, tendo em vista que Vinícius Júnior, Antony e Raphinha estão com seus passaportes carimbados para o mundial.

Nomes aclamados pela torcida brasileira, pelo que fazem na terra que seria do país do futebol, como Danilo, Raphel Veiga e Hulk, assim como Renato Augusto e Pedro, que contariam com o prestígio de Tite, correm por fora.

Se o tempo é compositor de destinos, até o final do ano, a condição dos jogadores pode ser outra, por desempenho ou lesões. Contudo, em contraste com 2021, o Brasil estreia em ano de Copa do Mundo expressando sua identidade como equipe.