Mais uma vez, o processo do projeto esportivo é o treinador

Como já aconteceu com Elano, no momento em que Thiago Carpini deixar a Ferroviária, o projeto esportivo do clube passará por uma reformulação completa

| ACidadeON/Araraquara -

Thiago Carpini é o novo treinador da Ferroviária e assinou contrato até o fim do Paulistão do ano que vem. (Foto: Tiago Pavini/Ferroviária SA)
 

Nessa semana, a Ferroviária anunciou suas primeiras contratações para a disputa da Série D do Campeonato Brasileiro. 

Do ponto de vista técnico, é indiscutível que jogadores como Jeferson Paulino, Jeferson, Carlão e Bruno Xavier estão em um nível acima em comparação com a qualidade média dos atletas que jogam a Série D e já apresentaram as credenciais necessárias para estarem no elenco que jogará o campeonato estadual do ano que vem. Inclusive, no que se refere à Jeferson e Carlão, ambos provavelmente seriam titulares se estivessem na Ferroviária durante o Paulistão dessa temporada.

Entretanto, se suspendermos o tempo presente como critério de avaliação para a contratação dos atletas e abordarmos as decisões do departamento de futebol da Ferroviária elegendo o futuro do clube como parâmetro, o diagnóstico será outro.

Assim como foi no Campeonato Paulista, o processo de formação do elenco da Locomotiva para a disputa da quarta divisão nacional está centralizado na figura do treinador, o que suscita um conjunto de questões.

Em primeiro lugar, como se deu o monitoramento de atletas por parte da Ferroviária para a montagem do grupo que jogará a Série D, tendo em vista que mais da metade dos jogadores anunciados até o momento chegaram ao clube por indicação de Thiago Carpini. Por outro lado, já que o próprio clube ainda não havia decido previamente as características dos jogadores que estariam em seu plantel, com base em quê a Ferroviária entendeu que o treinador que estava no Santo André era a melhor opção para assumir seu comando técnico?

Ao que parece, ao invés da Ferroviária definir qual seria seu modelo de jogo, contratar jogadores coerentes com o conceito de futebol definido pela instituição e buscar um treinador com o perfil para traduzir essa concepção dentro das quatro linhas, o clube primeiro contratou um treinador que, a partir do seu modelo de jogo, começou a orientar como a instituição deve atuar para reforçar seu elenco.

Seguindo essa lógica, como já aconteceu com Elano, no momento em que Thiago Carpini deixar a Ferroviária, o projeto esportivo do clube passará, mais uma vez, por uma reformulação completa.

Além disso, para satisfazer as preferências pessoais do novo treineiro, firmando contrato com seus jogadores de confiança, o clube abdica de outras opções que poderiam oferecer um retorno técnico semelhante, mas exigiram um dispêndio financeiro menor, o que deveria ser princípio básico em uma equipe como a Ferroviária, que opera com recursos econômicos limitados.

Assim sendo, a bola até pode entrar durante a disputa da Série D, garantindo o acesso para a terceira divisão do campeonato nacional, porque assim é o futebol. Todavia, não há um planejamento de longo prazo para o projeto esportivo da instituição.

No mundo dos esportes, por mais que vivamos em estado de negação, as derrotas e os fracassos são mais frequentes do que os êxitos. Por isso, uma utopia em relação ao que o clube quer ser é fundamental, sobretudo, quando o insucesso desportivo acontece, impedindo que a impulsividade do imediatismo seja uma bússola para o futuro.

Afinal, quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.