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Constelação Sistêmica: o teatro da cura emocional

Método terapêutico vem atraindo a atenção de cada vez mais pessoas que buscam respostas nem sempre dadas por terapias convencionais

| ACidadeON/Ribeirao


O mediador Paulo Cury em sessão em grupo de Constelação Sistêmica (Foto: Divulgação)
Provavelmente você já deve ter tido a sensação de que alguns processos repetitivos te impedem de alcançar um sonho, ou de realizar propósitos. Pode ser relacionamentos que te prejudicam de forma cíclica, empregos que nunca te satisfazem, pensamentos negativos recorrentes, ou ainda problemas com pessoas específicas que nunca se resolvem. 

Diante desse cenário que acompanha muita gente, uma metodologia terapêutica vem ganhando espaço e chamando a atenção de quem busca por soluções para os entraves da vida: a Constelação Sistêmica.  

Apesar de o nome remeter a algo esotérico numa primeira instância, o método nada tem a ver com religião, horóscopo, seitas, ou rituais. Criado pelo alemão Bert Hellinger, psicoterapeuta, professor e autor de mais de 15 livros, a Constelação Sistêmica pode ser descrita como uma terapia alternativa que trata das forças inconscientes que regem nossas decisões e influenciam nossas emoções. Os participantes podem constelar sozinhos ou em grupos, onde se aplicam também técnicas de psicodrama e Gestalt-terapia.  

Para obter as respostas interiores necessárias, uma espécie de representação teatral é formada, onde pessoas e emoções são representadas pelos participantes.  

Combatendo amarras invisíveis  

Há quem diga que a Constelação Sistêmica é um caminho para o autoconhecimento, outros, para a resolução de problemas interpessoais. E a terapia pode ser, realmente, tudo isso, na opinião de quem a experienciou.  

Para o constelador e terapeuta Paulo Curi, a terapia é indicada para todos os que sentem que há um "muro invisível" em sua frente. "Se você sente que existe algo pelo qual você não consegue passar, seja na área pessoal, profissional, vícios, relacionamentos, doenças ou qualquer outra situação, a Constelação vai mostrar aquilo que você não está vendo". 

Segundo ele, quando a pessoa consegue visualizar situações e interligar informações que muitas vezes estão no campo do inconsciente ela passa a ter ferramentas para lidar com o problema de uma forma mais assertiva e permanente, de dentro pra fora, com mudanças emocionais.  

"Coisas do passado são verdadeiros obstáculos para a vida futura. Carregamos sentimentos de culpa, raiva, traumas, carência de situações específicas sem perceber que carregamos um peso. Isso porque já nos familiarizamos com esse peso, já que ele esteve sempre lá. Quando nos livramos disso, percebemos por quanto tempo carregamos algo que não agregava nada em nossa vida", afirma Paulo.  

O terapeuta ainda lembra que os pensamentos são criados a partir do nosso estado emocional, como uma bola de neve. "O poder da cura está em cada um, mas muitas vezes falta essa ajuda para ver o que realmente está acontecendo".  

A Constelação Sistêmica é um processo íntimo, particular e, muitas vezes, até doloroso. Por isso, muitos constelados assim são chamados os que fazem a terapia mantêm sua experiência guardada em segredo. Porém, a escritora Katycia Diniz da Silva Nunes, não tem problemas em relatar a transformação que viveu. 

Há dois anos, a convite do cunhado, participou de uma sessão de Constelação Sistêmica e afirma que, mesmo sem grandes expectativas, passou por um divisor de águas. Em suas palavras, foi um dos momentos mais importantes de sua vida.  

Durante um período difícil, em que estava em constante desarmonia com algumas pessoas, Katycia passou a ter crises respiratórias e, só depois de seis meses, teve o diagnóstico de pneumonia. "Eu sabia que havia algo por trás daquela falta de ar, da doença, algo me dizia que o problema era mais profundo, mas eu não sabia o que era", explicou. "No diálogo com o mediador, visualizei que a dificuldade em respirar era porque eu não estava vivendo, meu sistema emocional estava doente. Eu não estava olhando para a minha vida e sim para a minha morte", relata.  

Para a escritora, a sua existência tomou um novo sentido após a terapia. Até parou de tomar remédios os quais antes não vivia sem. "Desde então, mudei o modo de me relacionar com as pessoas, me reaproximei de gente que me magoou e que eu magoei, minha relação com o trabalho é mais saudável. Hoje, entendo meu papel nesse sistema onde tudo e todos estão interligados, não desempenho mais papeis que não são meus e olho para minha vida com muito mais amor e respeito". A falta de ar foi curada e nunca mais voltou, segundo ela.
Já a experiência da empresária Fernanda Roquetti Velludo, 38, impactou diretamente no relacionamento com a mãe. 
 

A constelação é para quem sente que tem um muro invisível na sua vida, afirma o terapeuta Paulo Curi (Foto: Divulgação)
De constelada a consteladora  

A cantora Camila Kerr começou a fazer a terapia em 2015 e passou a frequentar as reuniões para participar desempenhando papeis nas constelações de outras pessoas. Surgiu, então, o desejo de atuar como mediadora e auxiliar mais gente a encarar suas dificuldades. Se profissionalizou em um curso de dois anos e, desde então, afirma que sua vida se transformou por completo.  

Segundo ela, o curso para se tornar uma Consteladora profissional a ajudou a ter uma postura mais neutra de não julgamento perante os outros. "É um exercício diário como profissional e como pessoa. Às vezes chegamos na sessão e achamos que a reação das pessoas será uma e, na verdade, é completamente diferente", diz.  

Para ela, a Constelação Sistêmica coloca luz nesse emaranhado de relações que constrói o que somos e nos faz pensar melhor sobre isso. Porém, muito se engana quem acha que toda história constelada terá um desfecho feliz de filme. "Às vezes a Constelação não tem um final bonitinho ou alegre, porque tendemos a querer consertar as coisas para ter um final feliz. Mas muitas vezes isso não cabe em certas situações e temos que compreender as coisas como são, porque isso gera um movimento muito importante no nosso emocional", explica.  

Como funciona uma sessão de Constelação Sistêmica?  

A Constelação Sistêmica pode ser realiza individualmente (quando o paciente interage diretamente apenas com o mediador) ou em grupo. No primeiro caso, o mediador se utiliza de elementos alegóricos para representar pessoas e emoções do paciente, como cartas, bonecos, pinos, entre outros objetos. No caso da Constelação em grupo, o constelado narra sua situação de vida e aquilo que o está incomodando, então outras pessoas presentes são designadas a representar in loco os personagens que fazem parte do sistema em questão.
Geralmente, são representadas figuras como o pai, mãe, irmãos, avôs, familiares diversos. Porém, o método também atende profissionais que buscam uma melhoria na cultura corporativa. A Constelação também pode servir como ferramenta de mediação de conflitos empresariais, em sucessões organizacionais, questões de heranças e até em processos jurídicos.  

Durante as sessões, o mediador trabalha com o campo emocional e energético dos personagens representados, por isso, é comum ouvir relatos de emoção extrema no momento das representações, tanto por parte do constelado, quanto por parte dos que desempenham os papeis sobre o seu sistema.

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