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Abra os ouvidos para Havana

Ora sofisticados, ora improvisados no canto de algum bar, os palcos sustentam músicos virtuosos e cantores de voz tão potente que até dispensam microfones

| ACidadeON/Ribeirao


Capital de Cuba tem muito charme e é recheada de cultura (Foto: Francine Micheli)
A primeira coisa que pensei quando coloquei meus pés em Havana, foi "o que eu estou fazendo com jaquetas de frio na mala?". A segunda foi "cubanos nascem com notas musicais no lugar das células".  

Para quem aprecia música sem preconceitos ou ainda gosta de conhecer suas diversas manifestações mundo a fora, a capital de Cuba é o destino certo para se aventurar. Os 40 graus célsius colaboram para que a salsa e o son (base musical de onde nasceram quase todos os outros ritmos latinos) se tornem ainda mais apaixonantes.  

As crianças cubanas têm de entrar para o ensino musical antes dos oito anos, mas o que se ouve em Havana vai muito além da educação: o ritmo transcende a dureza da teoria e prova disso são os sorrisos que acompanham os músicos. 

A maioria dos vocalistas das bandas que se apresentam em bares, restaurantes e hotéis, não usam microfone. O gogó dos cantores é treinado de tal forma que a potência da voz se torna suficiente e dispensa amplificação. 
 


Lugares imperdíveis para uma experiência cubana

Se o intuito é ter uma experiência, digamos, com mais holofotes, então vá à Casa de La Música, em Miramar, um espaço sem igual que apresenta grandes shows de música tradicional cubana, com pista para você dançar à vontade. O show é sempre com um grande grupo, as "orquestras", como são chamadas, que tocam por mais ou menos 1 hora. Antes do espetáculo, há outras performances de dança e cantores românticos e depois, a pista é tomada pelo ritmo que os jovens mais gostam por lá, o reggaeton. Apenas fique esperto com os funcionários que insistem para você "furar a fila" e entrar primeiro, por um dinheirinho a mais. 

Mas a música de Havana não dorme. É possível encontrar restaurantes e cafés com grupos tocando durante o dia todo. Se estiver afim de almoçar em um lugar charmoso e com salsa cubana ao vivo, experimente o La Pérgola, em Havana Vieja. A casa fica em uma das ruas mais bonitas do local (é como um calçadão de pedra, e não passa carros), e serve pratos executivos, sanduíches e petiscos. Se você tiver sorte, pode ouvir por lá a banda Suena Sabroso, formada por simpáticos habaneros que colocam todo mundo pra dançar, com direito a acrobacias com o atabaque.

All that jazz

Cuba tem uma incrível fusão de ritmos. Como uma grande batedeira musical, o país mistura influências africanas (que podem ser apreciadas em percussões extremamente complexas), espanholas, latinas e, especialmente americanas, que trouxeram o jazz antes da revolução em 1959. 

Para quem curte jazz, ele também tem lugar garantido em Havana. Há casas específicas, como o La Zorra y el Cuervo, um pub subterrâneo que apresenta grupos jazzísticos todos os dias da semana. Peça o mojito ou o daiquiri, claro.

Cuidado com as fotos

Um passeio a pé por Havana Vieja (bairro da cidade construído bem antes da Revolução Cubana de 1959) é obrigatório, assim como levar uma garrafa de água e usar um chapéu (a sensação térmica chega a 45°C e não há quase nada de sombra). A arquitetura diversificada e colorida dos prédios, assim como as ruínas do que sobrou de uma época obscura e violenta, é um convite a suspiros e reflexões históricas. 

E é claro que em Havana Vieja há bons músicos de rua marcando cada esquina com seus violões, flautas ou bongôs. Antes de já ir empunhando a máquina fotográfica ou de passar o braço por trás de um deles para posar para fotos, saiba que é muito provável que eles cobrem um dinheirinho pela simpatia toda. Os turistas são a galinha dos ovos de ouro para esse pessoal que trabalha nas ruas e aí cabe a você decidir se dá ou não dá gorjeta. 

Assim como os músicos, você também encontrará figuras exóticas, vestidas como general, com barba longa ou, no caso das mulheres, com vestidos e acessórios extravagantes. Mais uma vez, eles costumam cobrar para aparecerem nas fotos. 

Pela música e pela arte histórica, Havana continua valendo a pena, quando a alma não é pequena.

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