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Redução da gravidez entre adolescentes depende de ações integradas

Pesquisa mostra que mais de 80% das gestações nas adolescentes não são planejadas e 66% são indesejadas

| ACidadeON/Ribeirao


Tatiana Prandini é ginecologista, obstetra e especialista em Anticoncepção e gestação de alto risco (Foto: Divulgação)
Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que a taxa de gravidez na adolescência, no Brasil, em 2018, foi de 61,8 para cada mil adolescentes, entre 15 e 19 anos. A taxa mundial gira em torno de 45/1000. As informações comprovam que o tema gravidez na adolescência merece destaque nas políticas públicas, nas conversas em família e nas orientações escolares.  

Outra estatística importante da pesquisa Nascer no Brasil (2016), do Ministério da Saúde, mostra que mais de 80% das gestações nas adolescentes não são planejadas e 66% são indesejadas. A gestação na adolescência ocorre em uma época em que as garotas estão vivendo uma importante transição hormonal, se adaptando a um novo corpo e buscando autoafirmação social. É um período de grandes transformações.  

O Brasil ainda registra altos índices de gestação em jovens por ter grande parte da população com baixo poder aquisitivo, baixa escolaridade e falta de educação sexual. Sendo assim, grande parte dos adolescentes tem informações equivocadas em relação aos métodos contraceptivos e fazem uso de forma inadequada.  

Uma das formas mais eficazes de prevenção de gravidez na adolescência é a promoção de ações conjuntas entre escola, profissionais de saúde e família. Essa força tarefa faz com que os adolescentes sejam menos expostos a comportamentos sexuais de risco que possam resultar em uma gestação não planejada ou em uma infecção sexualmente transmissível.  

A gestação na adolescência é considerada de alto risco por vários fatores, dentre eles: início tardio do pré-natal, porque ela passa um bom período tentando esconder a gravidez; baixa assiduidade às consultas; baixa adesão às orientações médicas como uso de medicações, atualização de vacinas e prevenção de doenças.  

A gestante adolescente tem maior risco de aborto, parto prematuro, síndromes hipertensivas e síndromes genéticas. Este último risco é ainda maior caso a gestação ocorra nos dois primeiros anos que sucedem a primeira menstruação, pois nesta fase há imaturidade dos gametas.  

O apoio familiar é imprescindível no suporte emocional, na garantia do cumprimento das orientações médicas e na minimização dos impactos da gestação na vida social dessa jovem. É importante que ela continue frequentando a escola para ter qualificação adequada para ser mais competitiva no mercado de trabalho, garantindo assim, sustento para ela e para o bebê.
 

*Dra. Tatiana Prandini é ginecologista, obstetra e especialista em Anticoncepção e gestação de alto risco 
CRM-SP: 130216 

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