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Técnica premiada pelo Nobel é usada em laboratórios de Araraquara

Moléculas orgânicas que se comportam como "aceleradores de reação" e se mostraram mais eficientes e ambientalmente corretas

| ACidadeON/Araraquara -

Técnica é útil para a produção de novas moléculas. Foto: Divulgação
Técnica é útil para a produção de novas moléculas. Foto: Divulgação
Químicos de Araraquara realizam desenvolvimentos de novas moléculas e aprimoramentos com a técnica que levou cientista internacionais a ganharem o Prêmio Nobel de Química, da Academia Real de Ciências da Suécia.

A organocatálise assimétrica, método de construção de moléculas, permite fazer de forma ambientalmente responsável aquilo que se pensava que somente metais e enzimas conseguiam. Os catalisadores são substâncias que aceleram a velocidade de uma reação. Em pesquisas separadas, o alemão Benjamin List e o escocês David MacMillan descobriram que pequenas moléculas orgânicas eram capazes de reproduzir esse mesmo efeito.

Segundo a professora do Instituto de Química da Unesp Araraquara, Cintia Milagre, esse método é reproduzido nos laboratórios locais e já faz, de forma "invisível", do cotidiano de todos. Centros de pesquisa de todo o interior fazem estudos com a técnica, de forma a obter novas moléculas de maneira ambientalmente mais sustentável.

"É importante, porque quando nós medimos em termos de PIB (Produto Interno Bruto), fazemos o cálculo global, em torno de 35% de tudo que é produzido no mundo, pensem a quantidade disso, existe catalizadores envolvidos na produção dessas moléculas", explica.

Por mais que a palavra química possa estar no imaginário popular como algo ruim, ela é essencial para a vida. Desde as reações que ocorrem dentro das células humanas, de forma natural, até a produção de moléculas farmacêuticas que são usadas contra doenças, para o próprio bem-estar humano.

"O caso dos organocatalisadores traz um ganho fenomenal, porque as moléculas teriam que ser produzidas de um jeito ou outro. Então, tendo uma produção ambientalmente mais barata, comparada com outros métodos, mais simples. Isso é realmente fantástico", afirma.

Um dos exemplos de aplicação da organocatálise é o remédio oseltamivir, conhecido pelo nome comercial Tamiflu. Antes do desenvolvimento da técnica eram necessárias 12 etapas distintas para produzir o fármaco. Agora são cinco.

"As vantagens de se diminuir o número de etapas é gerar menos resíduos. Todos nós saímos beneficiados. Quem usa o medicamento um medicamento que foi feito de forma mais eficiente. É feito mais rápido e a indústria consegue lucrar mais. É um exemplo clássico de como os organocatalizadores está bem próximo de nosso dia a dia", finaliza.

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