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Exclusivo: Lista revela nomes, fichas de batismo e empréstimos do 'banco' do PCC na região

O material foi encontrado ontem na casa de um adolescente, em Matão

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Uma das anotações apreendidas pela polícia, em Matão

Um duro golpe contra a organização pessoal e financeira da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de código de área 016, em alusão a telefonia, nas cidades de Araraquara, Matão, São Carlos, Sertãozinho e Ribeirão Preto. Assim foi classificada a apreensão de uma rara lista com cerca de 20 nomes de integrantes do bando, além de movimentação de empréstimos como se fosse um ‘banco’ informal de quase R$ 300 mil. O material foi encontrado ontem na casa de um adolescente, em Matão.

A descoberta aconteceu por acaso, segundo o capitão Moises Zecheto, comandante da PM, em Matão. Uma equipe patrulhava pela cidade até cruzar com uma moto de 150 cilindradas. Ao perceber que seria abordado, um adolescente de 17 anos, que estava como passageiro jogou algo fora. No embrulho havia 112 gramas de cocaína. O que chamou a atenção veio depois. Na vistoria, os policiais militares acharam uma cópia de rifa compartilhada entre os integrantes, carta com pedido de desculpas e muitas anotações na casa do adolescente.

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Descoberta das anotações começou depois da apreensão de drogas com adolescente (Polícia Militar/Divulgação)

A suspeita é que ele tenha sido o ‘guardião’ da documentação. Nem por isso, ele foi apreendido. Por ser menor, foi ouvido e liberado. Na casa do adolescente, que nunca tinha sido detido, havia um caderno com informações valiosas para as investigações policiais. Cerca de 20 nomes de pessoas apontadas como lideranças ou membros influentes da facção na região. E tudo dividido por nome e ‘quebrada’, ou seja, localidade. E mais: dados de quem pagou o empréstimo e quanto ainda deve à quadrilha.

Ali existem dados sobre o batismo e a exclusão de homens até maio deste ano. Tudo devidamente tabulado. Aparece até quem é o "Jet" (gerente) na prisão. E dados financeiros como, por exemplo, se a pessoa é devedora ou não. E mais: o primeiro nome, apelido, padrinho para ingressar na facção, presídios pelos quais a pessoa passou e até qual foi o ‘fiador’ para que o dinheiro fosse emprestado. E o motivo é quase sempre o mesmo: negociação de mercadoria.

Em uma anotação aparece o nome de um ex-detento com empréstimo de R$ 50 mil. Em outra parte do caderno apreendido pela polícia, consta que um rapaz recém-egresso do sistema carcerário já contraiu uma dívida. Ao lado do seu nome, uma observação determinando a cobrança imediata. Para outro, o pedido descrito é que o valor integral do débito seja quitado. Tem até o nome de qual ‘irmão’ – como eles se relacionam - fará o acompanhamento do caso.

Um ‘líder’ regional com batismo na Penitenciária de Araraquara também aparece na anotação. Outros membros da quadrilha que são de outras regiões, mas, por ventura, passaram por Matão, conhecida entre os criminosos por ser um importante ponto de apoio da facção e chamada até de ‘cidade dormitório’, também estão no livro. Um deles, da região de São José do Rio Preto, aparece como punido por ter esquecido o pagamento.

O delegado seccional da Polícia Civil na região, Fernando Giaretta diz que é preciso apurar a veracidade da lista, pois ela está recheada de códigos internos. Por ora, ele prefere não comentar mais detalhes. O capitão da PM, Moisés Zecheto, também evita falar sobre a lista. Confirma, somente, a apreensão do caderno com as anotações ligadas ao crime organizado.
 

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