Manobra dos currículos derruba 'presidente' da Beneficência

Decisão de receber trabalhadores em busca de emprego foi considerada precipitada para líderes de empresa que assumiu o hospital

    • ACidadeON/Araraquara
    • Tom Oliveira
Arquivo Pessoal
João Batista diz que decisão por saída foi mútua (Arquivo Pessoal)

 

Foram mais de 3,5 mil currículos entregues em apenas oito horas. Hoje, apesar do anúncio de suspensão da entrega, outras dezenas de desempregas apareceram buscando uma vaga no mercado de trabalho. Uma semana depois que uma fila enorme de trabalhadores em busca de emprego se formou no Hospital Beneficência Portuguesa, João Batista da Silva, o homem taxado como ‘novo presidente’ da entidade e articulador do processo seletivo está afastado do grupo Gestal.

A informação foi confirmada em entrevista exclusiva de Rudinei Pestana, advogado araraquarense que trabalha para a empresa que assumiu a Beneficência. O recebimento dos currículos foi determinante para isso. João Batista teria se precipitado ao fazer aquilo e colocado todo o projeto em xeque, na visão dos mandatários da Gestal.

Ao ACidadeOn/Araraquara, João Batista confirmou o seu desligamento e garantiu que a decisão foi mútua. “Eu preferi me afastar. Estavam falando muitas coisas de mim. O meu objetivo é reabrir o hospital para não atrapalhar as negociações”, garantiu ele, que não sabe se um voltará a integrar a equipe gestora mais adiante.

Apesar da polêmica, o advogado representante do grupo Gestal, garante que os currículos recebidos estão guardados no hospital e devem ser utilizados pelos gestores se de fato o projeto sair do papel e o hospital for reaberto. No entanto, lembra que os ex-funcionários devem ter prioridade na contratação. “Se essas pessoas tiverem capacidade técnica, serão contratados”, cita o advogado. “Reabrindo a entidade, vai precisar de muita gente.”

Na semana passada, uma assembleia oficializou a troca na diretoria da entidade. Os antigos gestores deram lugar ao corpo técnico da Gestal. Assim, a empresa especializada em recuperar negócios, é hoje a responsável por gerir toda a dívida da entidade e também o hospital. Antes de realmente reabrir a Beneficência, os acionistas terão vários desafios. O primeiro é o processo judicial movido pelo Sindicato dos Funcionários que prevê a realização de um novo leilão judicial do prédio da entidade para pagar dívidas com ex-funcionários.

Para o sindicato, essas pendências chegam a R$ 23 milhões; nas contas de Pestana, R$ 15 milhões. Claudete Aparecida Defavere, representante do Sinsaúde, diz que, de oficial até agora, só há o processo judicial que se encaminha para um novo leilão do prédio. Ela conta que recebeu os representantes da Gestal, mas não recebeu documentação ainda. “Torcemos para que o hospital volte a funcionar e contratar novos funcionários, mas precisamos zelar para que os ex-trabalhadores recebam o que lhe é de direito”, afirma.
 


2 Comentário(s)

Comentário

Claudio Roberto Vicente

Publicado:

no meu ponto de vista muita gente não quer a reabertura do hospital principalmente o sindicato que não quer que os interessados iniciem um processo de acordo entre a empresa e ex funcionários, dando a impressão de que ou não querem a reabertura do hospital ou não querem perder a porcentagem que lhes cabem das "causas que estão na tramitando no fórum" SERÁ?????????

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Solange Aparecida Cecilio

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Se vc não tinha competência para fazer o que fez,. Vc acha que as pessoas que enfrentaram filas para entregar curriculum são palhaços. Creio que o maior palhaço é vc por ser tão apressadinho......