Depois de três netos homens, Ana Alicia seria a primeira neta da decoradora de festas Rosilani Rosa da Costa, de 46 anos. Mas a criança, que nasceu prematura de 35 semanas e dois dias, morreu após uma complicação na Maternidade Gota de Leite, em Araraquara, na manhã do último sábado (29).
“Hoje, senti um vazio tão grande dentro de mim. A gente estava aguardando a Ana Alicia com muita ansiedade. De repente, você vê um serzinho tão pequenininho dentro de um caixão. A gente fez tantos planos… Sou decoradora de festa e já estava falando o que ia fazer na festa de 1 ano dela”, lamentou a avó.
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A criança nasceu na última quarta-feira (26), quando foi identificada pela primeira vez uma má formação da parede do tórax. Ela passou por exames de tomografia na Santa Casa e, no dia seguinte, fez a cirurgia que, segundo a família, ocorreu dentro do esperado.
“Ela não tinha nada de errado, a única coisa era essa má formação. Mas a médica falou depois da cirurgia que a menina estava bem. Eu tenho um vídeo dela aqui, reagindo, do meu filho mexendo com ela e ela resmungando”, contou.
Rosilani explicou que a cirurgia foi para “retirar um pedacinho do fígado da criança”, que foi gerado do lado externo do corpo.
Para a família, a complicação começou depois que a recém-nascida recebeu ampicilina — um tipo de antibiótico utilizado no tratamento de infecções bacterianas — e sofreu uma reação alérgica. Em seguida, foi medicada com adrenalina, mas não resistiu e morreu.
“A médica disse assim para mim: ‘Olha! A cirurgia ocorreu bem, ela estava respondendo bem. Só que, quando eu fui aplicar um remédio, ela começou a apresentar umas placas vermelhas; fui ver uma adrenalina [usado no tratamento de choque grave produzido por reação alérgica grave], quando começou a baixar a saturação e o coraçãozinho dela começou a parar‘”, lembrou.
A avó contou que, na segunda-feira (24), a nora, de 20 anos, teve perda de líquido gestacional. Ela foi atendida na Gota de Leite e orientada a voltar para casa. No dia seguinte, desta vez com dores, voltou à maternidade e, na quarta-feira (26), foi submetida ao parto prematuro.
Segundo Rosilani, a nora teve alta na sexta-feira e, no sábado (29), ao voltar à unidade, não foi autorizada a visitar a criança. “Ela só viu a criança depois de morta”, afirmou.
Procurada, a secretaria municipal de Saúde informou que “todos os procedimentos e medicações seguiram rigorosamente os protocolos vigentes” e que, “mesmo com todas as manobras de reanimação e protocolos assistenciais aplicados pela equipe”, a bebê morreu em decorrência de parada cardíaca súbita. (Veja nota na íntegra abaixo)
A família de Ana Alicia procurou a Polícia Civil para denunciar a conduta da maternidade, que foi registrada como morte súbita, sem causa determinante aparente. O corpo da criança também passou por exames no IML (Instituto Médico Legal).
“Qual justiça que eu quero? Que não aconteça com outras mães e que seja esclarecido”, concluiu Rosilani.
NOTA À IMPRENSA
Com pesar, a Prefeitura de Araraquara, por meio da Secretaria de Saúde e da FUNGOTA, manifesta imensa tristeza e se sensibiliza com o falecimento do recém-nascido ocorrido na Maternidade Gota de Leite, na manhã de sábado (29).
O bebê, nascido prematuro de 35 semanas e 2 dias, no dia 26/11, apresentava uma grave má formação da parede do tórax (toracosquise), o que demandou a realização de cirurgia no dia 28/11.
Na manhã do dia 29, o recém-nascido sofreu uma parada cardíaca súbita e, mesmo com todas as manobras de reanimação e protocolos assistenciais aplicados pela equipe, não respondeu.
A maternidade reforça que todos os procedimentos e medicações seguiram rigorosamente os protocolos vigentes. A unidade dispõe de equipe especializada em neonatologia e cuidados intensivos, que atuou de forma contínua durante todo o atendimento.
A administração da maternidade adotou imediatamente todas as providências cabíveis. O corpo da criança foi encaminhado ao IML, conforme previsto nos protocolos para casos como este.

