
Os pneus da borracharia do José Carlos Rolak ganharam uma nova finalidade. Hoje, eles dão vida ao canteiro central do bairro Maria Luiza, na zona norte de Araraquara.
Segundo moradores, antigamente o canteiro era um matagal e até bichos peçonhentos eram encontrados.
“Antigamente ficava jogado um matagal aqui , doei os pneus, fizemos a pintura e cortamos pra não ter perigo de juntar água”, conta o borracheiro.
Os pneus foram pintados e hoje abraçam pequenas mudas de árvores e flores que foram plantadas ali. Deram vida ao que antes era abandonado.
“Estamos zelando há muitos anos pra ficar melhor, para nossa vila ficar mais bonita”, aponta.

O canteiro central fica na Avenida Orlando Shitini, abaixo da rede de energia que passa pelo bairro. O André Bispo Xavier lembra bem como era o local antes da ação dos moradores.
“Não tinha mais condições do jeito que estava, cheio de mato, com bicho e tomamos a iniciativa, um começou a limpar, a plantar e cada um foi ajudando um pouquinho”, lembra.
Hoje, os moradores adotaram o espaço e cada um cuida de uma parte. O marido da Maria das Graças Rocha, por exemplo, plantou girassóis.
“Muita gente gostou e teve gente que parava pra conversar com ele. Eu adorei o que ele fez”, diz a esposa.

IMPASSE COM CPFL
Mas o trabalho desenvolvido há três anos pode sofrer algumas alterações. Os moradores foram avisados pela CPFL que a iniciativa não vai poder continuar como está. A explicação? A segurança deles.
A Concessionária disse a reportagem que reconhece a excelente ação dos moradores, porém, após análise técnica, identificou que algumas espécies de árvores plantadas poderiam ocasionar riscos à segurança da população.
“São árvores que devem chegar ao grande porte e atingir ou se aproximar da linha de transmissão, ocasionando curtos-circuitos, desligamentos de energia e acidentes”, justifica em nota.
A CPFL não fala em interrupção do projeto dos moradores, mas confirma que se reuniu com representantes da prefeitura e que ficou definido que essas árvores serão substituídas.
A empresa reforça que, de acordo com a orientação Técnica, a distância mínima de segurança da uma árvore adulta ao condutor de energia é de no mínimo 4 metros.

A CPFL também pediu que não haja, em hipótese alguma, aglomerações, campos de futebol, mesas, bancos, cadeiras, entre outros objetos, sob o linhão de energia.
André Bispo viu o projeto começar do zero e teme que este seja o primeiro passo para que o projeto deixe de existir.
“Está ficando tudo bonitinho, aumentou o fluxo de gente, pessoas caminhando. Eles não apresentam nenhum projeto social pra gente, e quando a gente faz em benefício para o bairro eles querem tirar?”, questiona.
José Carlos conta que não quer que o bairro volte a ser o que era.”Olha quantos comércios já não saíram daqui, agora está cheio de crianças, e estamos cuidando “, reflete.
