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Itesp irá despejar outro acampamento dentro do Monte Alegre

Cerca de 50 famílias do acampamento Encontro das Águas precisam deixar a área que é considerada de reserva ambiental

| ACidadeON/Araraquara

Acampamento Encontro das Águas em Araraquara
 
A Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) entrou com pedido na Justiça para o despejo de aproximadamente 30 famílias que estão morando em condições precárias, no acampamento Encontro das Águas, formando dentro do Assentamento Monte Alegre, que fica entre os municípios de Araraquara e Matão.   

Este é o segundo acampamento formado no assentamento, em áreas consideradas de reserva ambiental pelo Itesp. O primeiro acampamento, o Novo Horizonte, que juntava cerca de 270 famílias, foi despejado há 15 dias.  

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O Encontro das Águas está próximo do Monte Alegre 8 e 9, em lotes que ficam próximos a um córrego. As famílias que ali estão, não tem emprego e não conseguem sobreviver da agricultura familiar, já que o impasse em relação a terra impede os acampados de plantar ou criar animais. A Prefeitura de Araraquara ajuda com água potável e cestas básicas, mas as condições são sub-humanas.  

O sem-terra Luís Claudio da Silva, de 46 anos, é um exemplo. Ele vive em um barraco de madeira com a esposa e a filha. Ele veio de Rondônia e a busca por um pedaço de terra o levou até o Encontro das Águas. "Porém, desde que chegamos aqui não conseguimos plantar nada, porque a terra não é nossa. Sabemos que a qualquer momento teremos que sair", diz ele. Ele cria alguns animais domésticos e planta pouca coisa, como banana e mandioca. "Não temos condições para plantar. Não temos água", resume.  

A também sem-terra Messia Henrique Freira da Silva, 52, diz que desde que recebeu a ordem de despejo está levando as poucas coisas que tem para a casa da filha, que mora em Matão. "O meu sonho mesmo é conseguir um pedaço de terra e sobreviver do meu trabalho", diz ela.  
 
 
Ajuda
Os acampados contam que a deputada Márcia Lia (PT) participou de várias reuniões com as famílias e prometeu ajuda. "Nossa esperança é conseguir um financiamento para comprarmos um pedaço de terra e então, recomeçar", diz Luís Claudio.  

Em nota, a deputada Márcia Lia explica que está trabalhando em defesa dos acampados da ocupação Encontro das Águas, no Assentamento Monte Alegre, na tentativa de garantir um prazo maior para a desocupação voluntária da área.
Além disso, o mandato tem ajudado os acampados do Encontro das Águas a se inscrever Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF).  

Cada família de Araraquara teve crédito aprovado no valor de R$ 140 mil e o grupo todo procura área no valor de R$ 1,4 milhão com capacidade produtiva na região de Ribeirão Bonito e Gavião Peixoto.  

O PNCF é coordenado pela Secretaria de Reordenamento Agrário do Ministério do Desenvolvimento Agrário em parceria com os governos estaduais, movimento sindical rural e uma grande quantidade de parceiros, e possibilita a construção das instalações básicas para a casa (luz, água e esgoto) e investimentos produtivos, como a preparação do solo, compra de implementos, acompanhamento técnico e o que mais for necessário para que o agricultor possa se desenvolver de forma independente e autônoma.  

O financiamento tanto pode ser individual quanto coletivo. As famílias são as responsáveis pela escolha e negociação da terra, além da elaboração da proposta de financiamento. O PNCF prevê ainda ações de incentivo às mulheres, jovens e negros rurais. Os produtores precisam comprovar atividade no meio rural de pelo menos cinco anos.

Entenda 
O assentamento Monte Alegre foi formado no final da década de 90, com 277 famílias dividas em sete núcleos. A área que foi desapropriada pelo Estado e quem administra é a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). Há aproximadamente cinco anos, dois acampamentos começaram a se formar, ocupando áreas que até então estavam paradas, tomadas por um pasto degradado.

O primeiro acampamento formado foi o "Encontro das Águas" e o segundo "Novo Horizonte", que já foi despejado. Ambos abrigavam famílias que migraram da cidade para o campo em busca de uma alternativa.

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