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Hidrogel promete mudar forma de limpar e cicatrizar feridas

Pesquisas com biopolímeros prometem colocar Araraquara no cenário nacional da inovação científica

| ACidadeON/Araraquara

 
ESPECIAL Inovar para Crescer (Por Willian Oliveira)
Essa matéria tem a garantia de apuração do portal ACidadeON. Diga não às fake news!

No meio acadêmico é comum ouvir que a ciência é a mãe das inovações. De fato, a maioria das grandes criações surge depois de muito estudo e trabalho de pesquisa. Alguns projetos levam anos, outros até décadas para sair dos laboratórios e transformar, de alguma forma, a sociedade. O professor doutor Hernane Barud, do programa de Biotecnologia da Universidade de Araraquara (Uniara), é um ferrenho defensor da ciência como meio para mudar o mundo. Ele aposta em um importante trabalho de pesquisa com biopolímeros para aplicação na área médica, alimentícia e optoeletrônica.

A grosso modo, os biopolímeros são como o plástico ou até mesmo o papel, mas produzidos de forma natural. A diferença é que o plástico comum é derivado do petróleo. Os biopolímeros que Barud estuda são produzidos por bactérias. "Elas se alimentam de fonte de carbono e secretam a chamada biocelulose. É a mesma do papel, só que tem propriedades fantásticas para o tratamento de feridas, de queimaduras, úlcera de pressão, entre outras", detalha Barud.

O mais recente trabalho de Hernane Barud é a criação de um hidrogel feito também com os biopolímeros. Ele tem as mesmas propriedades curativas de duas pesquisas anteriores e promete ser ainda mais eficiente. "Depois de um certo tempo que você aplica o hidrogel ele forma uma fina película na pele. Além de ajudar na cicatrização ela tem outra função, a chamada função debridante, quer dizer, ele limpa a ferida antes de começar a curar", detalha.

O estudo que tem dados mantidos em sigilo - é desenvolvido em colaboração com uma empresa de Londrina e o projeto é financiado pelo Governo Federal através da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação (Embrapi). Participa também da criação do hidrogel o pesquisador da Ufscar de São Carlos, Valderlei Salvador Bagnato. O gel deve chegar ao mercado em até dois anos, acredita Barud. Ele vem na sequencia de outros ótimos resultados adquiridos por Hernane Barud.  

O professor doutor Hernane Barud, do programa de Biotecnologia da Universidade de Araraquara (Uniara)

Quando era pesquisador do Instituto de Química, da Unesp de Araraquara, orientado pelo também pesquisador Sidnei Ribeiro, o docente ajudou a desenvolver o curativo feito com biocelulose que hoje é produzido e comercializado em larga escala pela empresa Seven Biotecnologia, de Londrina, no Paraná.

O material é feito em laboratório pela bactéria Acetobacter xylinum. Depois de pronto, ele passa por secagem e processamento até ficar parecido com uma folha de papel vegetal, quase totalmente transparente. A aplicação do curativo não exige muita técnica. Ele é afixado na pele, sobre a ferida, e hidratado com soro fisiológico. Assim, fica umedecido, adere ao ferimento e suas propriedades ajudam no fechamento das feridas.

Há um ano o professor Hernane Barud conseguiu melhorar ainda mais o curativo ao criar uma biocelulose porosa. "Essa versão deixa a ferida respirar, serve para aquelas feridas que precisam ser drenadas", conta.

Os curativos servem para pequenos ralados do dia a dia, mas são muito mais eficientes nas chamadas feridas complexas, que não fecham e fazem os pacientes sofrerem por vários meses ou até anos. "Esse produto tem a capacidade de induzir a cicatrização. Pelo que a gente tem avaliado, no mercado existem muitos curativos de alto valor agregado só que nenhum deles têm essa capacidade de induzir a cicatrização", explica a pesquisadora Andréia Bagliotti Meneguin, que também atua na equipe do professor Barud.

O curativo feito de biocelulose custa metade do que é cobrado pela solução importada. "Nós também temos tabela comparando o curativo de biocelulose com o tratamento convencional. Cai entre 30 e 40% o custo do tratamento já que a troca do curativo não é diária. Ele é eficiente até sete dias depois de ser aplicado na pele", detalha o docente.

Impressão 3D
Os biopolímeros são como máquinas de produzir possibilidades. De acordo com Hernane Barud, uma nova linha de pesquisa também começa a surgir usando o biopolímero como matéria prima para imprimir peças em 3D.

A Universidade de Araraquara, a Uniara, já adquiriu uma impressora para que o professor inicie a pesquisa. "A impressão 3D pode ser considerada a quarta revolução industrial. A ideia mais promissora é no sentido de conseguir produzir órgãos artificiais", finaliza.

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