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Famílias desalojadas de assentamento completam 15 dias em Bueno de Andrada

Sem-terra do Novo Horizonte montaram acampamento em uma área ao lado dos trilhos

| ACidadeON/Araraquara

Acampamento Novo Horizonte está em Bueno de Andrada (Fotos: Amanda Rocha)
 
Completou 15 dias o acampamento precário, no distrito de Bueno de Andrada, onde estão vivendo cerca de 80 famílias que foram despejadas do Assentamento Monte Alegre, que fica na divisa de Araraquara e Matão, no dia 19 de junho.

As famílias são de sem-terra e pertencem ao movimento Novo Horizonte. Elas haviam invadido uma área no assentamento há três anos e lá plantavam e criavam animais. Após uma reintegração de posse concedida pela Justiça, todas os quase mil moradores do local foram desalojados.

O despejo foi feito a pedido da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), que alegou que a área de 240 hectares pertence ao estado e é destinada ao reflorestamento e, por isso, não poderia ter plantações ou moradores.

Agora, pessoas de todas as idades estão morando em barracas doadas na beira da linha do trem, em Bueno. A alimentação também é feita com doações.

O produtor rural Célio Sérgio Soares está vivendo na área com as três filhas e a mulher. Eles têm enfrentado muitas dificuldades. "O frio de madrugada, está difícil para elas. Os adultos ainda aturam, mas o problema são as crianças", afirma. 

A subprefeitura de Bueno de Andrada liberou o banheiro da estação de trem para que eles possam tomar banho, mas é preciso atravessar a linha férrea. "É um risco atravessar a linha férrea com criança. De madrugada tem que levar no banheiro", diz Célio.   

Desabrigados do Novo Horizonte montam novo acampamento em um terreno em Bueno de Andrada
Pedaço de terra
Os assentados sentem falta de trabalhar no campo e o que mais querem é um pedaço de terra. O agricultor Argeu Benedito Rodrigues plantava mandioca, milho e verduras. Também criavam porcos e galinhas. Hoje, o que sobrou foram algumas peças de roupa e o carro.  

A produtora rural Conceição Sabino viu mais de 500 mudas de pitaya que ela plantou serem derrubadas. Agora não tem mais nenhuma fonte de renda.  

"Dói muito na gente. Todo mundo tinha seu cantinho, suas plantações e conseguia vender na cidade. Nós precisávamos só da nossa mão de obra para trabalhar ali", lamenta.

E eles não têm nem ideia de quando vão conseguir sair do local. "A gente está aguardando o julgamento no STJ em São Paulo. A gente precisa de uma solução porque a gente não pode ficar como está. A gente reivindica voltar para a nossa terra para que a gente possa produzir e viver em paz", afirmou Gabriela Dalarica, uma das líderes do movimento.  

Assistência social
A Prefeitura de Araraquara informou que as famílias foram inseridas em programas e serviços do município. Disse ainda que a assistência social chegou a oferecer um abrigo provisório, mas que as famílias recusaram e, depois disso, as equipes continuam acompanhando a situação.


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