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"Quero transformar meu luto em luta", diz mãe de jovem morta pelo ex-namorado

Uma caminhada em memória às vítimas de violência e para a conscientização das mulheres acontece na segunda-feira (09)

| ACidadeON/Araraquara

Isabel, mãe de Camila Lourenço, morta pelo ex-namorado (Fotos: Amanda Rocha)
 
Transformar o luto em luta. Este é o objetivo da dona-de-casa Izabel Cristina Lourenço, de 52 anos. Ela perdeu a filha, Camila Diógenes Lourenço, 32, que foi morta a facadas pelo ex-namorado há três meses, em Araraquara.  

Izabel está organizando uma caminha em prol da conscientização e prevenção da violência contra a mulher. "Nosso objetivo é transformar a memória da minha filha em luta. Alertar as mulheres que elas não podem ser coniventes com nenhum tipo de violência e há várias maneiras de se pedir ajuda", diz ela. A caminhada sairá do Parque Infantil em direção à Praça da Paz, no bairro da Fonte Luminosa, na próxima segunda-feira (09), às 16h.  

"Quero contar com a participação de todos. Todas as pessoas são importantes nesta luta que é mostrar o valor da mulher. Mulher não pode ser tratada com objeto. Quem ama cuida", reforça.  

Crime 
A mãe de Camila lembra com tristeza do fatídico dia 09 de maio de 2018. Ela e sua filha haviam saído juntas para resolver algumas pendências no Centro de Araraquara. Por volta das 12h30, elas se separaram. A mãe retornava para a casa, no bairro do Selmi Dei de ônibus. A filha iria de carro até a casa do ex-namorado conversar sobre o fim do relacionamento.  

Camila e o acusado do crime, o músico Antônio Marcos Bueno, de 35 anos, ficaram juntos por cinco meses, mas por causa do ciúmes excessivo dele, estavam se separando. Como ele não aceitava o fim do relacionamento, Camila teria ido até a casa onde ele estava morando com a mãe, para conversar.  

 
A conversa foi rápida. Ao chegar no local, após uma discussão, Marcos teria desferido 10 facadas em Camila, que não resistiu e morreu no local. A mãe dele e uma sobrinha que tentaram impedir a tragédia ficaram feridas.   

A mãe de Camila ainda estava no ônibus quando soube da notícia da morte de sua filha. "Uma sobrinha me ligou e contou que tinha visto a notícia na internet. Primeiro achei que fosse trote. Depois entendi o que houve. Foi o pior dia da minha vida, ficamos sem chão, sem saber o que fazer", recorda.  

Segundo Izabel, o acusado não aparentava ser uma pessoa violenta. "Está aí uma prova que nem sempre as coisas são tão nítidas. Ele parecia uma boa pessoa e fez isso com ela. Matou ela por ciúmes, por ela ser mulher e por não querer mais ficar com ele", reforça a mãe.  

"As mulheres precisam estar atentas a qualquer ato de violência", diz Izabel

Dias de luta 
"Nossa luta agora é fazer com que as mulheres entendem seus direitos e busquem ajuda em qualquer caso de violência, seja física ou mental", alerta Izabel.    

A caminhada irá lembrar ainda de outros feminicídios ocorridos em Araraquara neste ano, como o de Hemilly Brenda Gonçalves de Oliveira, de 14 anos, que foi espancada até a morte pelo tio, em março, no Jardim Maria Luiza. Teve ainda a moradora de rua Josiane Aparecida Mendes, de 44 anos, que foi encontrada morta com um golpe de faca no pescoço em uma mata na Vila Yamada, dois dias depois da morte de Camila, o suspeito é o ex-companheiro.

Camila Lourenço, de 32 anos, foi morta no dia 09 de maio pelo ex-namorado
A mãe de Camila diz que a filha era muito iluminada, divertida, alegre. Conhecida por ser uma pessoa boa e batalhadora. "E também é por isso que estamos organizando essa caminhada. Para que a morte da Camila sirva de exemplo e que de certa forma evitem outras tragédias", diz ela.  

Camila deixou a mãe, pai, irmãs, sobrinhos e um filho de 14 anos. "Hoje nossa família se mantém unida e um dando força ao outro, mas a minha filha nunca será esquecida", finaliza.  

O acusado do crime foi preso no mesmo dia e segue aguardado julgamento.  
 
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