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Policial que matou marido salvou a vida de uma mulher, diz advogada

Carla Missurino afirma que alerta para o problema da violência doméstica

| ACidadeON/Araraquara

 
A morte de Willian Rodrigo Ferreira, de 31 anos, por policiais militares na noite do último domingo (05) escancarou mais um episódio da violência doméstica em Araraquara. Os policiais que atiraram no rapaz foram até o residencial dos Oitis, no Jardim Iguatemi, atender uma ocorrência de agressão entre casal. Chegando lá, confusão, violência e morte.  

A advogada criminalista Carla Missurino alerta para o problema da violência doméstica. Na opinião dela, Laís Gonçalves Lemos, esposa de Willian Ferreira, poderia ser mais uma vítima de feminicídio em Araraquara.  

"O policial salvou a vida de uma mulher, porque se a polícia não chega, provavelmente teríamos mais uma mulher morta em Araraquara", diz ela.   

 
Entenda
Na noite do último domingo, a polícia foi até o residencial dos Oitis atender uma briga entre casal. Chegando lá conversou com Laís Lemos. A esposa disse aos policiais que o marido estava embriagado e ameaçando ela e os três filhos. A polícia tentou entrar no bloco onde fica o apartamento do casal, mas houve uma confusão e segundo o Boletim de Ocorrência, Willian Ferreira teria partido para cima de um dos policiais, que para se defender efetuou alguns disparos. Um dos disparos atingiu o rapaz, que morreu no hospital.  

"Quando os policiais chegaram, ele tentou me pegar para me bater. Eu corri, ele foi pra cima do policial, deu um soco no nariz do policial, na boca do policial. O policial se defendeu, começou a atirar pra cima, mas aí os tiros pegaram nele, eu acho", lembra Laís.  

Testemunhas relatam confusão e vários depoimentos são controversos. A irmã de Willian diz que o rapaz foi morto injustamente e que ele não violentava a esposa.  

Nas redes sociais, amigos lamentam a morte de Willian Ferreira e a esposa, Laís, está sendo ameaçada.  

A versão da PM é praticamente a mesma de Laís e o caso será investigado.  

Carla Missurino defende que os casos de violência doméstica precisam ser combatidos com mais rigor
Violência doméstica
Os casos de violência doméstica são gravíssimos e estatisticamente ultrapassam os casos de tráfico. "É muito sério falar sobre isso, as mulheres estão sendo constantemente agredidas", diz.  

A advogada diz que a violência doméstica funciona como um sistema circular, o chamado Ciclo da Violência Doméstica, que apresenta, regra geral, três fases. Primeiro, aumento de tensão dentro de casa, injúrias, xingamentos, empurrões, a mulher começa a sentir que corre perigo.  

Depois tem um ataque violento, onde o agressor maltrata física e psicologicamente a vítima. "Estes maus-tratos tendem a escalar na sua frequência e intensidade", reforça Missurino.  

O próximo passo do agressor, em geral, é uma mudança de comportamento, onde começa a tratar a vítima com carinho, se desculpando pelos atos e prometendo mudanças.  

"Este ciclo caracteriza-se pela sua continuidade no tempo, isto é, pela sua repetição sucessiva ao longo de meses ou anos, podendo ser cada vez menores as fases da tensão e de apaziguamento e cada vez mais intensa a fase do ataque violento. Em situações limite, o culminar destes episódios poderá ser o feminicídio. Em Araraquara temos assistido vários episódios que a violência terminou em morte", afirma Carla.
 

Casos em Araraquara

Este ano, vários casos de feminicídio foram registrados em Araraquara. Primeiro teve da jovem da garota Hemilly, de 14 anos, que foi espancada até a morte pelo tio, quando comunicava a família que começava a namorar.   

Hemilly Brenda morreu após ser espancada pelo tio
Logo após teve o caso da Camila Lourenço, de 32 anos, que tentou terminar um relacionamento e o ex-namorado e foi morta a facadas no começo do ano.  

E teve ainda a moradora de rua de 44 anos que foi morta pelo ex-companheiro.  

Recentemente, em julho, um rapaz de 31 anos, inconformado com o fim do relacionamento, invadiu a casa da ex-mulher, assassinou um amigo dela, tentou matá-la e depois cometeu suicídio. "Este caso só não terminou em mais uma morte de mulher, porque a vítima conseguiu fugir", relembra a advogada;

Romper o ciclo
Carla Missurino chama a atenção de toda a sociedade para romper este ciclo de violência. "As pessoas precisam saber que tem uma lei a Maria da Penha que funciona e serve para proteger as mulheres", diz ela.  

"É preciso força e coragem para denunciar e acabar com tantos casos de violência, que uma hora ou outra terminam em morte", diz ela.