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Prefeito Edinho nega irregularidades e diz que buscas em sua casa causam estranheza

Prefeito de Araraquara foi um dos alvos da Operação Capitu, que é um dos desdobramentos da Operação Lava Jato

| ACidadeON/Araraquara

Sede da Polícia Federal em Araraquara
 
A Polícia Federal esteve na manhã desta sexta-feira (09) na casa do prefeito Edinho Silva (PT) - tesoureiro da campanha eleitoral de 2014 e ex-ministro da ex-presidente Dilma Rousseff - e seu assessor na época, Manoel de Araújo Sobrinho. Eles foram alvos de buscas feitas através da Operação Capitu, que é um dos desdobramentos da Operação Lava Jato, e que tem o objetivo de investigar um suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).  

Leia mais: Edinho Silva e assessor são alvos de desdobramento da operação Lava Jato, em Araraquara   


Em sua defesa, Edinho fez uma transmissão ao vivo no facebook na manhã desta sexta-feira. Veja na íntegra o que ele disse:  

"Bom dia, agora são 10h05. Estou aqui no gabinete da Prefeitura de Araraquara trabalhando como faço todos os dias. Faço esse ao vivo para esclarecer um fato que aconteceu hoje pela manhã.  
Como sempre me porto da forma mais transparente possível, esclarecendo tudo o que acontece na minha vida enquanto homem público, venho aqui para falar de um fato que é ruim me deixa indignado, mas aconteceu e por isso preciso conversar com a população de Araraquara.
Hoje por volta das 6h tive na minha residência um mandato de busca e apreensão atrás de documentos relacionados a minha atuação como coordenador financeiro da campanha da ex-presidente Dilma em 2014.
Policiais federais estiveram na minha casa atrás de documentação que comprovasse algum ato ilegal meu enquanto tesoureiro da campanha de 2014.
Estiveram também na casa do Manuel de Araújo, que todos sabem, trabalhou comigo, me assessorou nessa função que eu cumpri em 2014.
Manuel nunca teve nenhuma relação com a busca de recursos financeiros para a campanha, mas infelizmente também estiveram fazendo cumprindo esse mandato de busca e apreensão na residência dele.
A campanha de Dilma, o qual fui coordenador financeiro, eu tenho dito desde 2014 que nós agimos dentro da legalidade e mais transparente possível.
As contas da campanha foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2014. Logo depois que Dilma assumiu, o PSDB entrou com uma ação questionando novamente as doações eleitorais e um longo processo de investigação foi aberto sobre as doações de 2014.
Foi muito divulgado pela imprensa investigaram delações premiadas da Odebrecht, da JBS, da OAS, da Andrade Gutierrez e tantas outras empresas que doaram para a campanha.
O que aconteceu no ano passado? O TSE mais uma vez aprovou essa longa investigação onde eu estive no TSE, onde eu prestei esclarecimentos e muitos empresários foram lá falar. As contas de Dilma mais uma vez foram aprovadas em 2017.
O que me causa estranheza? É que quatro anos depois, depois das contas serem aprovadas duas vezes pelo TSE, um mandato de busca na minha casa atrás de documentos que comprovassem alguma ilicitude da minha atuação enquanto coordenador financeiro da campanha de 2014.
Depois de todos documentos terem sido entregues em 2014, depois de uma longa investigação de 2015 a 2017, toda essa documentação foi apresentada novamente ao TSE, um mandado de busca na minha casa atrás de documentos que comprovassem ilicitudes da minha atuação enquanto coordenador de campanha.
Os policias federais saíram da minha casa sem nenhum papel nas mãos. Ou seja, um único papel foi levado. Sabe o que foi levado? Os meus dois celulares, um meu pessoal, que eu uso para ligações pessoais, um outro funcional, telefone da prefeitura e meu iPad. Não levaram um documento sequer.
Eu respeito à Justiça, respeito a Polícia Federal, mas evidente que esse mandado de busca na minha residência hoje é algo totalmente descabido. Porque eu prestei todos os esclarecimentos que alguém pode prestar à Justiça nessa investigação que o TSE fez.
As contas foram aprovadas duas vezes pelo TSE. Eu estive diversas vezes prestando esclarecimentos, esclarecendo tudo o que aconteceu na campanha de 2014. Então eu acho muito estranho, respeito a decisão judicial, mas acho muito estranho 4 anos depois após eu ter prestado todos os esclarecimentos, sempre ter me colocado à disposição para esclarecer todos os fatos, um mandado de busca é feito na minha casa quatro anos depois que eu fui coordenador financeiro.
Os policiais saíram da minha casa sem um documento sequer, uma folha, não levaram uma folha sequer da minha casa, evidente que nada de ilegal existe na minha conduta, nada de ilegal existe na minha postura.
A minha advogada dra. Maíra Salone entende que esse mandado é totalmente irregular, não tem respaldo judicial, mas evidente que o mandado ocorreu e eu estou muito tranquilo.
Presto a minha solidariedade ao Manuel, porque ele foi um colaborar meu na campanha, um assessor que cuidava da parte burocrática da campanha, ele não deveria estar passando por isso. Nem eu, acredito, deveria ter passado por um mandado de busca de uma investigação que como vocês estão vendo pela imprensa envolve um doleiro que segundo a imprensa é operador do PMDB, envolvendo o ministério da agricultura, nada tem a ver com a campanha da presidenta Dilma em 2014.
Mas não tem problema, eu penso que o Brasil está vivendo um momento difícil que precisa ser superado, eu penso que a Justiça tem que ser respeitada, que as nossas autoridades policias tem que ser respeitadas a todo momento, eu respeito, mas eu espero que o Brasil, as instituições brasileiras possam restabelecer a presunção da inocência, restabelecer o estado democrático de direito, restabelecer todos os princípios da democracia"