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Subtenente Félix tem 90 anos e uma história de amor pela Polícia Militar

Ex-policial foi um dos veteranos homenageados em cerimônia realizada na sede do 13º Batalhão

| ACidadeON/Araraquara

Subtenente Antônio Gabriel Felix, de 90, é um dos mais antigos policiais da reserva em Araraquara
Em 1946, o jovem Antônio Gabriel Félix tinha acabado de completar 18 anos. As opções de carreira não eram muitas, mas sem dúvida, ele escolheu uma das mais difíceis e arriscadas: se tornou policial. Foi assentado praça da Força Pública do Estado de São Paulo naquele mesmo ano. Seis anos depois, a corporação se transformaria em Polícia Militar. "Montaram um batalhão em Batatais onde eu comecei a trabalhar. Eram outros tempos, a Polícia era respeitada, os criminosos não peitavam a gente. Em 1949 eu fiz um curso de aperfeiçoamento e me tornei cabo", lembra ele que em setembro de 2018 completou 90 anos.  

Subtenente Félix, como é conhecido, é um dos mais antigos policiais militares vivos em Araraquara. Serviu à corporação por 30 anos e na manhã de quarta-feira (14) foi homenageado na sede do 13º Batalhão da Polícia Militar juntamente com outros colegas de farda, de várias gerações. "Infelizmente muitos dos meus colegas já morreram, alguns em serviço, outros pela idade. Queria ver todos aqui, comemorando também", lamenta ele.  

Na carreira ele comandou pelotões em Taiúva, Bebedouro, Terra Roxa e Pradópolis. Em meados da década de 1960, Félix desembarcou em Araraquara. "A cidade era maravilhosa. É até hoje. Tive a certeza que viveria aqui até meus últimos dias e acho que está dando certo", brinca ele.  

A mudança de Força Pública para Polícia Militar lhe rendeu várias promoções ao longo da carreira. De cabo foi a subtenente, passado pelas funções de 3º, 2º e 1º sargento. Algumas promoções por bravura e outras, pelo bom desempenho da função.
Em Araraquara, Félix recebeu a missão de montar o primeiro sistema de radiopatrulhamento (RP). A sede ficava na Rua Expedicionários do Brasil (Rua 8), no cruzamento com a Avenida Duque de Caxias, no Centro. Logo se tornou referência entre os policiais no serviço, considerado vital até hoje para o desempenho das ações preventivas e ostensivas da PM. "A comunicação por rádio sempre foi muito importante para a polícia, tinha orgulho do meu trabalho, ajudei e pegar muito bandido e em 1972 eu recebi um troféu de melhor controlador de RP. Ao todo tenho 12 diplomas de cursos específicos para a função", conta orgulhoso.   

No evento realizado na quarta-feira, o comando do 13º Batalhão da Polícia Militar restaurou uma viatura VW Fusca, de 1974. Conhecida como "baratinha", era o terror da bandidagem, segundo o subtenente. "Esse carro me traz muita saudade. Quanto bandido não sentou ali atrás (aponta o banco traseiro). Eles sujavam todo o carro e depois era uma correria para deixa-lo limpinho de novo na hora de passar o turno para outra equipe", relembra.    



A aposentadoria veio no final da década de 1970 e com ela um sentimento de saudade e também, de dever cumprido. "A gente fica um pouco perdido quando se aposenta. Perdemos nossa identidade, parece que arrancam um pedaço da gente. É uma fase esquisita. Sei que tudo um dia acaba, mas não nossa paixão por essa instituição. Lembro que quando trabalhava, todo dia a gente saia para pegar bandido, só que toda nossa ação era também para enaltecer a PM, para que fosse lembrada como um braço amigo da sociedade", recorda.  

Família
Hoje o subtenente Félix dedica seu tempo a família. E que família! São 14 filhos, 46 netos, 43 bisnetos e 17 tataranetos. "E vai crescer mais", brinca ele.

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