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O incansável detetive Zinho Uirapuru, que ajudou a encontrar mais de 8 mil pessoas

José Aparecido Pessetti busca, agora, ajuda para manter o funcionamento da ONG Areia

| ACidadeON/Araraquara -

Zinho Uirapuru, o detetive que ajudou a encontrar mais de 8 mil pessoas (Fotos: Amanda Rocha)
Todos os dias, o segurança José Aparecido Pessetti, de 58 anos, pensa em ajudar a encontrar pessoas desaparecidas. É em uma pequena sala, com fotos espalhadas por toda a parede que o incansável detetive, Zinho Uirapuru -  como é conhecido - passa a maior parte do tempo buscando informações que possam ajudar elucidar os milhares de casos.  

Em quase 30 anos, cerca de 8 mil pessoas foram localizadas com a sua ajuda e de seu companheiro inseparável: o rádio amador. "Penso que Deus me deu essa missão, de ajudar as pessoas e localizar desaparecidos", diz.  

Como tudo começou
Com rádio amador, no final da década de 80, Zinho montou um grupo e começou a ajudar fazendeiros a avisar a polícia sobre casos de furtos. "Muitos animais eram furtados e naquela época, sem telefone, sem internet, a polícia demorava para chegar e com a ajuda do rádio, muitas vezes conseguíamos encontrar os animais que tinham sido furtados", diz ele.  

Entre as missões daquela época, Zinho ajudou ainda uma família a encontrar um medicamento caro e raro que não existia no Brasil para um rapaz com problemas cardíacos. "Conversei com tanta gente pelo rádio, até que um médico na França ajudou e mandou várias caixas cheias pelo aeroporto", conta.   

Em uma sala, na sua casa, Zinho busca informações por pessoas desaparecidas em todo o Brasil

Foram anos nesta tarefa de mediador através rádio amador. Até que, em 1999, uma mulher procurou Zinho para que ele a ajudasse a encontrar o pai, que estava desaparecido. Foram meses e meses 'copiando' mensagens de caminhoneiros e outras pessoas que ajudavam nesta busca. "O pai dela tinha Alzheimer e com muita ajuda, através do rádio amador, conseguimos localizá-lo em uma fazenda em Rio Claro. Ele estava lá há três anos e não sabia mais quem era e de onde tinha vinho. Trabalhava como caseiro, mas sem ter um passado. Foi um reencontro muito emocionante", lembra ele.  

Depois deste caso, Zinho se tornou uma espécie de 'detetive', criou a ONG Areia (Agrupamento de Rádio Emissão Independente Araraquara) e nunca mais parou de ajudar a encontrar pessoas desaparecidas.  

"As pessoas começaram a me procurar e o rádio amador tem um alcance muito grande. Encontramos pessoas em todo o Brasil", diz ele, que calcula ter ajudado a encontrar mais de 8 mil pessoas em quase 30 anos, sendo que 20 somente em Araraquara. Como nem todos os casos tem final feliz, cerca de 20% dos casos quando a pessoa é descoberta ela não estava mais viva.  

Desaparecidos

Zinho diz que vários fatores estão relacionados ao desaparecimento de pessoas: maus tratos, dificuldades de relacionamento com a família, tráfico de órgão, tráfico de drogas, dívida com drogas, dívidas em geral e até mesmo magia negra.  

"As drogas acabam com a pessoa e destroem as famílias. Tivemos um caso, logo quando começamos, de uma mulher de 32 anos que saiu de casa para pagar uma conta e desapareceu. Ela foi encontrada um ano depois. Era usuária de drogas e aparentava ter mais de 50 anos. Uma tristeza, destrói toda a família", relata ele.  

Entre os casos mais emocionantes que Zinho participou está um reencontro especial, entre a esposa dele e a irmã dela. Elas ficaram sem se ver durante 10 anos, desde quando a irmã saiu de casa e nunca mais voltou. "Encontramos ela em Manaus, tinha se casado com um pastor e formado família. O reencontro foi lindo, teve até equipes de televisão acompanhando", diz ele.   

Gabriel Ceribelli Goulart ficou desaparecido por seis dias em Araraquara
Casos
Os crimes envolvendo crianças são sempre bem marcantes, segundo Zinho. Em Araraquara o sumiço do menino Gabriel Ceribelli Goulart, de 11 anos, em agosto de 2013, foi uma prova disso. O caso mobilizou a cidade. Foram seis dias de desaparecimento até que o garoto foi encontrado morto no córrego do Tanquinho, no Jardim Veneza, Zona Norte de Araraquara. Dias depois, dois irmãos foram presos acusados de matar Gabriel para roubar sua bicicleta e seu celular.  

"Eu estava em casa quando me chamaram porque haviam encontrado um corpo no rio. Eu já imaginei que seria do garoto. Uma história triste e como foi aqui do lado de casa, conhecemos pessoalmente a família, foi muito triste. Queríamos ter encontrado ele vivo, mas infelizmente, nem sempre as histórias terminam felizes", relata.  

Já entre os casos mais intrigantes está o da menina Renata Helena Lobrigatti de Campos, desaparecida em 12 junho de 1997 em Araraquara, aos cinco anos. Desde então, a menina nunca mais foi vista. Um andarilho que confessou ter matado várias crianças chegou a confessar que tinha assassinado Renata, mas nunca houve provas. "Até hoje é um caso que não resolvemos. Ainda me intriga", diz ele.   

Retratos estão espalhados pela sala de Zinho Uirapuru, da ONG Areia
ONG
Porém, depois de todos estes anos atuando como detetive, Zinho está preocupado e corre o risco de parar. Ele perdeu o emprego como vigilante, trabalho que rendia o sustento de sua família e também mantinha alguns trabalhos da ONG e sem ajuda financeira, a ONG Areia pode fechar.  

"É preciso dinheiro para tudo. Pagar internet, telefone, tudo tem um custo e temos uma demanda de pessoas que ainda precisam ser encontradas", diz ele.  

Zinho chegou a vender equipamentos para conseguir manter os trabalhos e agora busca outras colaborações.  

Quem puder ajudar a ONG Areia, os telefones são (16) 3461-4541 ou (16) 99765-3965. A ONG fica na Avenida Arlindo Miguel, 84, no Jardim Adalberto Roxo, Zona Norte de Araraquara.  

A ONG também tem uma conta onde podem ser feitos depósitos de qualquer quantia. Banco do Brasil, agência 0082-5/conta-corrente: 98.106-0.
 
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