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Clientes de restaurante fazem apelo para manter trabalho de vendedora de sorvete

Ela fica posicionada em frente ao Bom Prato, mas uma reclamação gerou a corrente do bem

| ACidadeON/Araraquara

Clientes de restaurante fazem apelo para manter trabalho de vendedora de sorvete
As fotos de uma vendedora ambulante sendo expulsa da frente do restaurante Bom Prato, na Vila Xavier, movimentou ontem as redes sociais. Ao menos, para quem tem contatos em Araraquara. Leni Witzel Machado Perazzoli Peccini tem 30 anos e há pouco mais de um ano posiciona na entrada do restaurante seu carrinho com sorvetes e doces. Um meio de sobrevivência que passou a ser ameaçado pela denúncia de que ela estaria atrapalhando a passagem. Clientes saíram em sua defesa e iniciaram um abaixo-assinado para que ela permaneça ali, vendendo seus produtos e mantendo o sustento da família. 

"Uma cliente pegou implicância comigo e acabou me denunciando para o responsável pelo restaurante em São Paulo. Ela afirma que estou atrapalhando a entrada dos clientes, mas estou aqui há mais de um ano e nunca atrapalhei", explica a vendedora, sendo logo defendida por quem estava ao lado ouvindo a conversa.  

Leni foi parar nas redes sociais após seu choro comover um dos clientes do restaurante. Lucas Tadeu Souza de Oliveira Ruas, expedidor em uma fábrica de remédios, almoça ali diariamente e virou cliente. Ontem, ao ver a vendedora chorando, decidiu perguntar o que havia ocorrido. "Ela me disse que não poderia ficar aqui, pois alguém teria dito que ela estaria atrapalhando. Eu me comovi e decidi postar a foto no facebook para que alguém pudesse ajuda-la", conta.    


   
Ganha pão

A vendedora trabalha ali com a autorização do gerente da unidade. "Eu vendia picolé um pouco pra baixo do restaurante, pois não tinha autorização para ficar aqui. Foi, então, que o gerente me viu e permitiu que eu ficasse nesse cantinho. Ele viu minha situação e entendeu que esse era meu ganha pão", explica. 

Essa liberação veio seguida de ressalvas. Leni conta que o gerente do local informou onde não poderia ficar. Em meio a polêmica, foi criado um abaixo-assinado do bem para mantê-la. Até hoje à tarde, 108 pessoas já tinham se posicionado favoráveis a permanência de Leini, ali, no seu canto, com seus sorvetes, gelinhos (ou geladinhos) e doces. Esse documento será enviado à São Paulo para rebater a denuncia.  

Mas, chegar até o restaurante é uma luta. Leni pedala do Vila Biagioni (na região da Avenida Francisco Vaz Filho) até a Vila Xavier, em busca de uma vida melhor para ela e o marido. "Eu vou embora, chego em casa tomo banho e recomeço meu trabalho. Faço os meus gelinhos, abasteço os picolés e preencho os doces. Eu não venho aqui para fazer mal para as pessoas, venho aqui para ganhar meu dinheiro, pois nem sempre meu marido tem pagamento".  

Neste mês, por exemplo, ela tem até o dia 22 para reunir o número significativo de vendas e pagar o aluguel. Para tanto, diariamente, faz cerca de 100 gelinhos e leva 50 picolés. O calor de Araraquara somado a clientela fiel são o resultado uma conta agradável: raramente volta com produto para casa. Ao pensar em perder isso Leni não segura a emoção. Ela chora.  

Clientes
Para quem é cliente do restaurante, os docinhos da Leni não atrapalham. Pelo contrário, completam a refeição que já tem preço popular. "Depois do almoço tem que comer um docinho ou tomar um sorvete. Ela não atrapalha de maneira alguma. Ela não pode desistir, tem que continuar", incentiva a cozinheira Maria Alzenira.  

João Silvério é um dos clientes que assinaram o abaixo-assinado e pede que continue. "Ela está defendendo o pão dela de cada dia, é educada e trabalha muito pra ajudar a pagar as contas da casa. Aqui forma fila pra compra os doces e os gelinhos feitos por ela", destaca.

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