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Um Parque dos Dinossauros no Centro de Araraquara

Há cerca de 130 milhões de anos animais jurássicos deixaram suas marcas em vários pontos da cidade

| ACidadeON/Araraquara

Parque do Infantil tem pegadas de dinossauros (Foto: Câmara Municipal)
Quando passaram por Araraquara os dinossauros deixaram suas marcas. Prova disso são as calçadas do Centro, como as da Rua Voluntários da Pátria, que estão marcadas eternamente pelas pegadas e que abrigam o museu arqueológico a céu aberto.  

Mas, quem caminha pelo Parque Infantil, no Centro, não imagina que debaixo dos pés, mais precisamente no calçamento feito com lajes de arenito de Formação Botucatu, conserva-se também um rico acervo paleontológico, formado por pegadas de dinossauros que viveram aqui há aproximadamente 130 milhões de anos.   

 

A advogada Denise Pozza, de 38 anos, não sabia que o parque, em que sempre passeia com o filho Álvaro Antônio, 3, guardava memórias jurássicas: "É incrível imaginar que não apenas um, mas vários dinossauros já passaram por aqui".  

Há mais de 30 anos debruçado sobre esses vestígios de dinossauros, o historiador Marcelo Adorna Fernandes explica: "Esta região do Brasil já foi um grande deserto e, em Araraquara, havia uma espécie de oásis que permitiu que os animais deixassem seus rastros na areia molhada, depois transformada em pedras".   

Parque Infantil é um dos lugares mais tradicionais para caminhada em Araraquara (Amanda Rocha/ACidadeON)
Mas, se em Araraquara, estas calçadas são desconhecidas por muita gente, no mundo acadêmico elas são famosas e ganharam até um apelido: calçadas jurássicas. "Há vários livros científicos que mencionam Araraquara, justamente por abrigar os únicos registros desse tempo de transição entre o período Jurássico e o Cretáceo", conta Fernandes.  

Marcelo Adorna esteve essa semana no Parque Infantil com a vereadora Juliana Damus (Progressistas), que é autora da lei que visa à preservação desse patrimônio histórico.  

História preservada
Em Araraquara, estas lajes são facilmente encontradas pelas ruas do centro e dos bairros mais antigos, contudo, parte significativa desse acervo já foi danificada ou descartada, na maioria das vezes, por falta de conhecimento das pessoas. Com a lei, de autoria da vereadora e aprovada por unanimidade na Sessão Ordinária do dia 26, fica estabelecido que todo serviço de remoção, reforma ou remodelação de áreas destinadas ao passeio público revestidas de lajes de Arenito deve ser avaliado pelo Poder Público.  

"Nossa ideia é fazer um levantamento de todos os locais que tenham essas lajes e comunicar o respectivo proprietário sobre a necessidade de conservação. Também pretendemos fazer um trabalho de conscientização junto às escolas para que as crianças entendam a importância da preservação e atuem como multiplicadores dentro de suas famílias. Sem contar o potencial turístico que pode ser explorado com tantos museus a céu aberto que a cidade possui", conclui Juliana.


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