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"É preciso falar sobre bullying com urgência", diz educadora

Juliana Munaretti afirma que tragédias como a de Suzano poderiam ser evitadas se o bullying fosse tratado com mais seriedade

| ACidadeON/Araraquara

Guilherme e Luiz Henrique são os atiradores no massacre da escola de Suzano (Foto: Reprodução)
O ataque à escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, deixou ao menos 10 mortos na última quarta-feira (13). Após atirar em estudantes e funcionários, os atiradores, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, ambos ex-alunos da escola, se mataram.  

Massacres com armas de fogo em escolas acontecem com frequência nos Estados Unidos. No Brasil, casos parecidos ocorreram ao menos oito vezes. O mais emblemático foi o de Realengo, no Rio de Janeiro, ocorrido 2011, em que 12 pessoas morreram.   

Massacre na escola em Suzano (Foto: Reprodução)
A pergunta que todos se fazem é: o que levam jovens a abrirem fogo em escolas?  

Existem muitas especulações sobre as causas e motivos do ataque, mas ainda é necessário traçar o perfil psicológico dos atiradores e entender se sofriam algum transtorno mental.  

Mas, históricos de bullying (termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica) também são comumente ligados a reações violentas como essa afirma a educadora araraquarense especializada em bullying, Juliana Munaretti Barbieri.  

Segundo ela, já passou da hora das escolas públicas e particulares desenvolverem projetos de prevenção ao bulllying. "Falar sobre o assunto, envolver alunos e sociedade em uma discussão importante, porque tragédias podem ser evitadas", diz Juliana.   

Estudantes se abraçam após ataque a escola de Suzano (Foto: Maiara Barbosa/G1)
O fato de a escola ter sido escolhida como cenário para o crime poderia também ser um indicativo da existência de algum problema dos atiradores com o ambiente escolar.  

"O jovem não vai atacar o indivíduo que praticava bullying contra ele, porque essa pessoa provavelmente não está mais na escola e nem as pessoas que de alguma forma coniventes com a situação, então ele ataca a escola, o espaço geográfico, como uma forma de se livrar da situação", explica.   
 
"É preciso falar sobre bullying, as escolas precisam ter projetos que evitem bullying, mas hoje o que percebemos são escolas omissas", diz ela.

Outro ponto destacado por Juliana é que as famílias e a sociedade precisam estar mais atentas às crianças e aos adolescentes. "Para chegar a uma tragédia como essa de Suzano, de alguma forma os garotos deram sinais que não foram vistos. Sinais como introspecção ou até mesmo o excesso de tempo dedicado jogos violentos".  

"A mesma sociedade que está chocada com o que aconteceu é a que ignora os sinais de um jovem que sofre bullying. A falta de atenção aos jovens coloca em risco suas atitudes", diz a educadora.  

Guilherme e Luiz Henrique são os atiradores no massacre da escola de Suzano (Foto: Reprodução)
Os atiradores
Segundo o secretário de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, ainda é cedo para afirmar que o bullying ou qualquer outro motivo impulsionaram o massacre.  

Nas redes sociais atribuídas a Guilherme e Henrique, as fotos revelam admiração por armas de fogo. Pouco tempo antes do ataque acontecer, o perfil de Guilherme Taucci havia sido atualizado com 30 fotos em que ele aparecia vestindo a mesma roupa usada no crime.  

Em uma das fotos, Guilherme apontava seu dedo para a cabeça, em um sinal de arma. Nas demais, estava com uma bandana de caveira na boca e com uma arma apontando para a câmera.  

Abalada e evitando as câmeras, Tatiana Taucci disse à rádio Band News FM que não sabe apontar a razão do ataque, mas afirmou que o adolescente havia parado de estudar por causa do bullying. "Guilherme era só uma criança, era muito tranquilo", afirmou, antes de completar: " É bullying que chama, não é? Ele saiu da escola por causa disso".

Investigação
O caso do massacre está sendo investigado pela polícia. Indícios levam a investigação a crer que a chacina foi premeditada como ações em games de tiros e anotações sobre táticas do jogo. Além disso, dois cadernos foram encontrados no carro dos criminosos. Num deles há o desenho de uma arma.  

A polícia também investiga a possibilidade de a dupla de assassinos ter frequentado um fórum intitulado Dogolachan na Deep Web, uma internet considerada obscura nas quais pessoas anônimas incitam crimes de ódio e intolerância.

"Muito obrigado pelos conselhos e orientações, esperamos não cometer esse ato em vão", teria escrito um dos assassinos dois dias antes do massacre em Suzano.

Perfil 
Policiais civis e peritos da Polícia Técnico-Científica foram as casas dos assassinos, que moravam a pouco mais de 1 quilômetro de distância do colégio.

Guilherme foi criado pela avó, que morreu há cerca de três meses. Atualmente ele estava morando com um tio.

Luiz vivia com os pais, um irmão mais velho e o avô. Ele era jardineiro e trabalhava na Zona Leste de São Paulo.

"Infelizmente a família completamente perplexa, os pais em choque, há idosos, o avô dele reside aqui, mais de 80 anos, estão todos completamente sem chão, sem norte", disse Fabrício Cicone Tsutsui, advogado da família de Luiz.

Além de investigar a participação dos assassinos nas redes sociais, a polícia quer saber como eles adquiram as armas e como alugaram o carro usados na chacina. 

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